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Após 17 meses internado, adolescente que teve 90% do corpo queimado em explosão volta para casa

G1

A saída de uma unidade hospitalar após um longo período de internação é, para muitos, o verdadeiro marco de um recomeço. Para Rikelme Alexandre de Brito, de 14 anos, esse momento chegou após 519 dias de luta intensiva. O adolescente, que teve cerca de 90% do corpo atingido por queimaduras graves em um acidente doméstico, recebeu alta médica e pôde, finalmente, retornar ao convívio familiar em sua residência. A jornada de Rikelme, marcada por dezenas de procedimentos cirúrgicos e uma resiliência impressionante, mobilizou a comunidade de Catanduva, no interior de São Paulo, e agora entra em uma nova e decisiva fase de reabilitação.

A tragédia no domingo de Páscoa

O cenário do acidente remete a um momento que deveria ser de celebração. No dia 20 de abril de 2025, um domingo de Páscoa, a família de Rikelme se reunia para um almoço quando a tentativa de acender uma churrasqueira utilizando álcool líquido provocou uma explosão súbita. O incidente atingiu diretamente o adolescente, sua mãe, Lucimari Aparecida de Brito, e seu irmão mais novo, Maxwell Henrichy de Brito, na época com apenas sete anos.

O uso de substâncias inflamáveis para acender fogos e churrasqueiras é uma das principais causas de acidentes domésticos graves no Brasil. No caso da família Brito, as consequências foram devastadoras. Enquanto Lucimari e Rikelme iniciavam uma batalha pela sobrevivência em unidades de terapia intensiva, o pequeno Maxwell não resistiu à gravidade dos ferimentos e faleceu pouco tempo depois, tornando o processo de recuperação física de Rikelme ainda mais carregado pelo luto familiar.

A complexidade do tratamento e a luta pela pele

Tratar queimaduras que atingem 90% da superfície corporal é um dos maiores desafios da medicina moderna. Rikelme foi transferido para o Hospital Padre Albino, em Catanduva, uma unidade de referência no tratamento de queimados. Durante o um ano e cinco meses em que esteve internado, o adolescente passou por uma sequência exaustiva de enxertos de pele, desbridamentos (limpeza de tecidos mortos) e sessões de fisioterapia motora para evitar a retração dos tecidos.

A equipe médica responsável pelo caso destaca que a sobrevivência a um trauma dessa magnitude é considerada rara. O processo envolveu não apenas a cicatrização das feridas externas, mas o monitoramento constante de funções renais e respiratórias, frequentemente comprometidas em grandes queimados. A alta, concedida no último dia 21 de outubro, foi celebrada pela equipe assistencial como uma vitória da medicina e da vontade de viver do jovem.

O impacto psicológico e o alívio do lar

Para Lucimari, a mãe que acompanhou cada passo dessa trajetória, a diferença no semblante do filho ao cruzar o portão de casa é nítida. Ela relata que o ambiente hospitalar, embora necessário e seguro, acaba por exaurir o estado emocional de pacientes crônicos. "A chegada dele aqui em casa foi maravilhosa. Não tem dor, graças a Deus, dorme uma maravilha, mil vezes melhor do que no hospital. Lá ele estava deprimido, porque um ano e cinco meses não é fácil para ninguém", desabafou a mãe em entrevista.

A transição do hospital para o domicílio exige uma adaptação rigorosa. A rotina de Rikelme agora inclui o uso de malhas compressivas e faixas de proteção durante 24 horas por dia, essenciais para controlar a cicatrização e evitar a formação de queloides que poderiam limitar seus movimentos. Segundo Lucimari, o olhar do filho, que antes refletia o sofrimento dos procedimentos diários, agora "brilha de alegria" ao retomar pequenas liberdades cotidianas.

Próximos passos na recuperação

Embora o retorno para casa seja um marco definitivo, o tratamento de Rikelme está longe de terminar. Ele continuará sendo assistido pelo Hospital Padre Albino em regime ambulatorial. Novas cirurgias plásticas e reparadoras estão previstas para os próximos meses e anos, à medida que o organismo do adolescente se desenvolve. O tempo entre cada intervenção será ditado pela resposta biológica de seu próprio corpo, uma espera que a família agora enfrenta com muito mais otimismo.

O caso de Rikelme serve como um alerta sobre a segurança doméstica e a periculosidade do manuseio de álcool, mas também como um testemunho sobre a importância de centros especializados em queimaduras. A rede de apoio formada por familiares, amigos e profissionais de saúde foi o alicerce para que o adolescente pudesse, hoje, planejar um futuro fora das paredes de um hospital.

Histórias de superação como a de Rikelme reforçam a importância de políticas públicas de saúde e do apoio emocional em tratamentos de longa duração. No Impacto1 Jornal, continuamos acompanhando casos que tocam a nossa sociedade, trazendo a informação com o respeito e a profundidade que cada história merece. Siga conosco para mais atualizações sobre este e outros fatos relevantes do Brasil e do mundo.

Fonte: https://g1.globo.com

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