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Segurança do paciente: como a prevenção e o engajamento podem reduzir riscos de doenças crônicas

© Marcello Casal jr/Agência Brasil

O Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado anualmente em 17 de setembro, ganha em 2024 um contorno de urgência global. Sob o tema "Cuidado seguro para doenças não transmissíveis", a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde brasileiro buscam lançar luz sobre uma realidade que muitas vezes passa despercebida no cotidiano das unidades de saúde: a segurança não se limita apenas ao ambiente cirúrgico ou hospitalar de alta complexidade, mas permeia todo o ciclo de vida de quem convive com condições crônicas.

As chamadas Doenças Não Transmissíveis (DNTs), ou doenças crônicas, deixaram de ser apenas uma preocupação médica para se tornarem um desafio de desenvolvimento social e econômico. O alerta é fundamentado em dados alarmantes: essas enfermidades são responsáveis por 74% das mortes em todo o planeta. Estamos falando de bilhões de pessoas que lidam diariamente com as limitações e os riscos impostos por condições como diabetes, hipertensão, câncer e doenças respiratórias crônicas.

O peso das doenças crônicas no cenário brasileiro

No Brasil, o cenário reflete uma transição epidemiológica acelerada. Com o envelhecimento da população, a incidência de múltiplas doenças crônicas em um mesmo indivíduo — a chamada multimorbidade — torna o sistema de saúde mais pressionado. No entanto, o impacto dessas doenças não é distribuído de forma igualitária. Estudos recentes apontam que a incidência de doenças crônicas é até 50% maior entre a população preta em comparação à branca, evidenciando que a segurança do paciente também passa por questões de equidade e acesso ao diagnóstico precoce.

Essas condições de longa duração exigem um manejo contínuo. Diferente de uma infecção aguda, que se resolve em poucos dias, a doença crônica demanda uma vigilância que dura décadas. É nesse hiato entre as consultas e o dia a dia em casa que os riscos à segurança costumam aparecer, seja por erros na administração de medicamentos, falta de adesão ao tratamento ou falhas na interpretação das orientações médicas.

O protagonismo do paciente como barreira de segurança

Uma das mudanças de paradigma mais importantes defendidas pelo Ministério da Saúde é a transformação do paciente de um sujeito passivo para um agente ativo em seu próprio cuidado. A segurança do paciente aumenta exponencialmente quando ele — ou seus familiares — compreende detalhadamente o plano terapêutico. O silêncio durante uma consulta, muitas vezes motivado por receio ou timidez frente ao profissional de saúde, pode ser um fator de risco silencioso.

A recomendação é clara: pergunte. Questionar sobre o objetivo de um novo medicamento, entender as possíveis reações adversas e saber identificar sinais de alerta são passos fundamentais. O Ministério orienta que, se uma explicação técnica parecer confusa, o paciente deve solicitar que o profissional repita a informação de maneira simples e acessível. A prática de anotar as orientações ou levar um acompanhante de confiança às consultas não é apenas um suporte emocional, mas uma estratégia técnica para garantir a continuidade correta do tratamento em domicílio.

A rede de cuidado: do posto de saúde à emergência

O acompanhamento regular nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) funciona como a primeira linha de defesa. É nesse nível que a evolução da doença é monitorada e os tratamentos são ajustados antes que ocorra uma descompensação grave. O monitoramento contínuo evita internações desnecessárias que, por si só, expõem o paciente a outros riscos, como infecções hospitalares e erros de medicação em ambientes de alta pressão.

Contudo, o sistema também precisa estar preparado para o momento da crise. Em situações de piora repentina, como crises hipertensivas graves, falta de ar acentuada ou episódios de hiperglicemia, o tempo é o fator determinante. A orientação oficial reforça que o acesso imediato ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) ou às unidades de pronto atendimento é parte integrante da segurança do paciente crônico, garantindo que o cuidado não seja interrompido abruptamente por falta de suporte emergencial.

Desafios e o futuro da gestão de saúde

O enfrentamento das doenças crônicas exige políticas públicas que vão além do consultório. A segurança do paciente está intrinsecamente ligada ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo que medicamentos essenciais estejam disponíveis e que o manejo de longo prazo seja coordenado entre diferentes especialistas. A integração de dados e o uso de prontuários eletrônicos são ferramentas que ajudam a evitar a prescrição de fármacos que interagem negativamente entre si, um problema comum em pacientes que tratam várias condições simultaneamente.

A conscientização trazida pelo Dia Mundial da Segurança do Paciente é um convite à reflexão sobre como a sociedade, os gestores e os indivíduos podem colaborar para um sistema de saúde mais resiliente. Reduzir o risco das doenças crônicas não é apenas uma questão de novos fármacos, mas de educação em saúde, vigilância constante e, acima de tudo, uma comunicação humana e transparente entre quem cuida e quem é cuidado.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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