PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.

FMI alerta: disparadas e choques de preços podem ser mais frequentes e afetar inflação por anos

G1

O cenário econômico global está entrando em uma nova fase de volatilidade que promete testar a resiliência das famílias e a eficácia das políticas governamentais. Segundo um alerta recente do Fundo Monetário Internacional (FMI), as disparadas bruscas e os choques de preços, especialmente em setores essenciais como alimentos e energia, tendem a se tornar mais frequentes. O que antes era visto como um evento extraordinário está se transformando em uma variável recorrente, capaz de manter as expectativas de inflação elevadas por períodos prolongados, agravando a pobreza e ameaçando a estabilidade de nações ao redor do globo.

A preocupação não é meramente estatística; ela reflete uma mudança profunda na dinâmica das cadeias de suprimentos e nas tensões geopolíticas. Para o cidadão comum, isso se traduz na sensação de que o custo de vida nunca cede, mesmo quando os indicadores oficiais sugerem uma estabilização. O estudo do FMI, que compõe o relatório Perspectiva Econômica Mundial, revela que as crises de custo de vida não são apenas picos passageiros, mas fenômenos que deixam cicatrizes profundas na economia e na estrutura social.

A face invisível da inflação e o impacto sobre os mais pobres

Um dos pontos mais sensíveis da pesquisa divulgada pelo FMI é a análise do impacto desproporcional da inflação sobre as camadas mais vulneráveis da população. Ao adotar um novo modelo econômico que considera o peso real dos gastos com itens básicos — como arroz, feijão, eletricidade e gás de cozinha —, a instituição identificou uma distorção grave nos indicadores tradicionais. Existe uma diferença de 0,8 ponto percentual entre a inflação percebida pelas famílias de baixa renda e o índice geral utilizado por muitos governos.

Essa diferença de percepção e de gasto real tem consequências humanas devastadoras. Segundo o FMI, entre os anos de 2021 e 2024, o número de pessoas vivendo abaixo da linha da extrema pobreza foi 23 milhões maior do que as estimativas anteriores previam. Isso ocorre porque os mais pobres comprometem uma parcela significativamente maior de sua renda com produtos cujos preços dispararam nos últimos anos, sem que haja margem de manobra para substituições de consumo ou poupança.

Geopolítica e a 'normalização' do caos econômico

Historicamente, choques simultâneos de preços em diversos países eram raridades estatísticas. No entanto, o último lustro mudou essa percepção. A combinação da recuperação pós-pandemia, a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e o acirramento das tensões no Oriente Médio criou um ambiente de instabilidade contínua. Esses conflitos não apenas interrompem o fluxo de mercadorias, mas geram uma ansiedade de mercado que antecipa altas de preços antes mesmo da escassez física ocorrer.

Chiara Maggi, economista do FMI e uma das coordenadoras do estudo, enfatiza que essas crises reduzem os padrões de vida e aprofundam a desigualdade de forma persistente. A instituição prevê que a economia mundial crescerá cerca de 3% em 2026, um índice que, embora demonstre certa resiliência, ainda está abaixo da média histórica de 3,5% registrada em anos anteriores. O risco permanece elevado, especialmente porque as projeções anteriores contavam com o fim de conflitos que, na realidade, acabaram se expandindo geograficamente e se intensificando em violência.

O fantasma das expectativas de longo prazo

Outro alerta crítico reside no comportamento psicológico do mercado e dos consumidores. O FMI identificou que, durante crises de custo de vida, as expectativas de inflação para o curto e médio prazo sobem rapidamente e — o que é mais preocupante — permanecem acima dos níveis pré-crise por pelo menos três anos após o choque inicial. Quando a sociedade acredita que os preços continuarão subindo, essa crença acaba se tornando uma profecia autorrealizável, influenciando negociações salariais e reajustes de contratos.

Para os bancos centrais, incluindo o Banco Central do Brasil, esse cenário é um desafio monumental. A persistência das expectativas elevadas obriga as autoridades monetárias a manterem as taxas de juros em patamares altos por mais tempo para frear o consumo e tentar ancorar os preços. Isso gera um ciclo de crédito caro, que dificulta investimentos produtivos e o crescimento econômico sustentável, criando um dilema entre controlar a inflação e incentivar o emprego.

Políticas públicas: o que realmente funciona?

Diante desse cenário de 'choques frequentes', o FMI analisou as medidas adotadas por governos nas últimas três décadas e foi enfático em suas recomendações. A instituição defende que a forma mais eficiente de proteger a população não é através do controle direto de preços ou da redução indiscriminada de impostos sobre o consumo, mas sim por meio de transferências de renda direcionadas.

O estudo aponta que subsídios generalizados — como os aplicados aos combustíveis ou à produção — podem custar aos cofres públicos de seis a 22 vezes mais do que um auxílio focado estritamente em quem mais precisa. Além disso, subsídios à produção em países em desenvolvimento muitas vezes acabam beneficiando consumidores estrangeiros, uma vez que barateiam produtos destinados à exportação com o dinheiro do contribuinte local. A recomendação clara é fortalecer redes de proteção social robustas e ágeis, capazes de injetar recursos diretamente nas mãos das famílias vulneráveis assim que um novo choque de preços for detectado.

Acompanhar a evolução desses indicadores e entender as engrenagens que movem a economia global é fundamental para compreender os desafios do Brasil nos próximos anos. No Impacto1 Jornal, nosso compromisso é traduzir a complexidade dos mercados financeiros em informações que impactam o seu dia a dia, com a profundidade e a clareza que o leitor brasileiro exige. Continue conosco para se manter informado sobre as tendências que definem o futuro do seu bolso e do país.

Fonte: https://g1.globo.com

Leia mais

PUBLICIDADE