PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.

Região de Itapetininga fortalece economia local e preservação ambiental por meio do turismo rural

G1

O interior de São Paulo vem consolidando um movimento que transforma a tradicional rotina do campo em um dos segmentos mais promissores da economia regional: o turismo rural. Na região de Itapetininga, propriedades que antes se dedicavam exclusivamente à produção agropecuária agora abrem suas porteiras para oferecer experiências que unem lazer, gastronomia e um contato profundo com a natureza. Essa mudança de perfil não apenas diversifica a renda do produtor, mas também responde a uma demanda crescente de moradores de grandes centros urbanos em busca de desconexão e simplicidade.

A transição do trabalho para a experiência

O fenômeno observado em cidades como Itapetininga e Angatuba reflete uma tendência global de valorização do autêntico. O que antes era visto apenas como o cotidiano exaustivo da lavoura ou da pecuária, hoje é percebido pelo visitante como um escape necessário. A iniciativa de transformar fazendas e sítios em destinos turísticos reúne um ecossistema que envolve produtores rurais, empreendedores do setor de hospitalidade e profissionais de turismo, criando uma rede de apoio que fortalece a identidade regional.

Em Angatuba, o exemplo da produtora Bárbara Soares ilustra bem essa transição. Ao adaptar sua propriedade com a construção de chalés e a estruturação de trilhas, ela conseguiu aliar a produção agroecológica ao acolhimento de visitantes. O diferencial, segundo os relatos de quem frequenta, não está no luxo, mas na capacidade de transmitir paz. O aumento na procura por esses espaços reflete uma mudança de comportamento no pós-pandemia, onde o isolamento em áreas abertas e o ar puro tornaram-se artigos de primeira necessidade.

Turismo regenerativo: ir além da contemplação

Um conceito que ganha força na região é o do turismo regenerativo. Diferente do turismo predatório ou meramente contemplativo, essa modalidade busca deixar o local visitado melhor do que ele estava antes da chegada do turista. A turismóloga Andressa Martins destaca que paisagens e histórias locais são ativos valiosos que, quando bem geridos, promovem a preservação ambiental.

Atividades como o plantio de árvores nativas, o cultivo de flores e a participação direta no manejo da terra permitem que o visitante se sinta parte do ecossistema. Essa interação cria um laço afetivo com a propriedade, incentivando o retorno e a recomendação do destino. É uma forma de educar ambientalmente enquanto se gera valor econômico para a preservação das APPs (Áreas de Preservação Permanente) e das reservas legais das propriedades rurais.

Gastronomia e cultura: o vinho e o queijo como protagonistas

Em Itapetininga, a gestão pública tem desempenhado um papel articulador ao organizar roteiros pelos parreirais da região. Em parceria com o Sindicato Rural e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), a prefeitura tem incentivado a profissionalização de famílias que tradicionalmente produziam vinhos para consumo próprio. Hoje, essas vinícolas familiares tornaram-se paradas obrigatórias para degustação e visitas guiadas.

O produtor Ademir Marques é um dos nomes que viram na interação com o público a chave para manter sua vinícola ativa e sustentável. Ao abrir as portas para mostrar os bastidores da fermentação e do cultivo da uva, ele agrega valor ao produto final, eliminando intermediários e estabelecendo uma relação de confiança com o consumidor. Esse modelo se estende também à produção de queijos artesanais e outros derivados do leite, que atraem entusiastas da gastronomia de 'km zero' — aquela onde o alimento percorre a menor distância possível do produtor até o prato.

Profissionalização e geração de empregos

A expansão do turismo rural na região não beneficia apenas os donos das terras. A artista plástica Walkiria Paunovic observa que a atividade tem um efeito cascata na economia local. A necessidade de oferecer serviços de qualidade exige a profissionalização de queijarias, vinícolas e restaurantes, o que, por consequência, gera novos postos de trabalho e retém o jovem no campo, oferecendo perspectivas de carreira fora do modelo agrícola tradicional.

O futuro do interior como destino de bem-estar

Para os visitantes, o turismo rural na região de Itapetininga oferece a oportunidade de reconhecer o valor do trabalho diário no campo e de relaxar em um ambiente que respeita o ritmo da natureza. Para o empreendedor, é um campo fértil para parcerias e inovação. A troca de experiências entre produtores tem gerado novas ideias, como rotas integradas que permitem ao turista visitar diferentes propriedades em um único final de semana.

O fortalecimento desse setor coloca a região no mapa dos grandes roteiros de viagem do estado de São Paulo, provando que o desenvolvimento econômico pode caminhar de mãos dadas com a preservação das tradições e do meio ambiente. O turismo rural não é apenas um negócio, mas uma ponte que reaproxima a cidade do campo de forma respeitosa e sustentável.

Para continuar acompanhando as principais transformações do interior paulista e as tendências que movimentam nossa economia e cultura, siga o Impacto1 Jornal. Nosso compromisso é levar até você a informação com profundidade, contexto e a credibilidade que o leitor moderno exige. Fique por dentro de tudo o que importa no cenário regional e nacional com nossa cobertura diária.

Fonte: https://g1.globo.com

Leia mais

PUBLICIDADE