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Polícia investiga morte de bebê após parto em hospital de SP: pais denunciam negligência e alegam ‘mãos vazias’

G1

O silêncio que agora ocupa o quarto preparado com carinho em Barra do Turvo, no interior de São Paulo, contrasta com a expectativa que cercou os nove meses de gestação de Bruna Gabriely Arruda e Neon Franco de Arruda. O casal, que aguardava o nascimento de seu primeiro filho, Anthony, vive agora o luto de uma despedida precoce e a busca por respostas. A Polícia Civil do Estado de São Paulo investiga as circunstâncias da morte do recém-nascido, ocorrida logo após o parto no Hospital São João, em Registro, sob a suspeita de negligência médica decorrente da demora no atendimento emergencial.

A tragédia familiar ganhou contornos de caso de polícia após o registro de um boletim de ocorrência que detalha uma sucessão de eventos críticos ocorridos entre os dias 6 e 7 de outubro. Segundo o relato do pai, Neon, a sensação de injustiça é agravada pelo cenário que encontraram ao retornar para casa. "Quando a gente chega em casa, com as mãos vazias, a gente fala: ‘Poxa, está faltando alguma coisa’. E realmente está", desabafou em entrevista, sintetizando o vazio deixado pela perda do bebê que já possuía todo o enxoval pronto e aguardado.

Cronologia de uma espera angustiante

De acordo com os registros oficiais e o depoimento da mãe, Bruna, de 29 anos, a gestação foi considerada tranquila e sem intercorrências. O último exame pré-natal, realizado apenas cinco dias antes do internamento, confirmava que Anthony gozava de plena saúde. A internação ocorreu às 5h do dia 6 de outubro, quando Bruna apresentava nove meses de gestação e sinais iniciais de trabalho de parto. No entanto, o quadro clínico se estabilizou por horas, até que, por volta das 2h da madrugada seguinte, as dores se tornaram intensas e insuportáveis.

Nesse momento crítico, a família alega ter solicitado a realização imediata de uma cesariana. A resposta recebida, contudo, foi o que motivou a denúncia de negligência: uma enfermeira teria informado que não havia médico obstetra disponível na unidade naquele horário e que seria necessário aguardar a troca de plantão, agendada para as 6h da manhã. Durante quatro horas, a gestante permaneceu em sofrimento agudo, sem o suporte especializado que o caso aparentemente exigia.

Intervenção tardia e o desfecho fatal

Somente com a chegada da médica plantonista às 6h é que a gravidade da situação foi constatada. Ao realizar os exames de rotina, a profissional percebeu que os batimentos cardíacos de Anthony estavam debilitados, o que forçou uma transferência imediata para o centro cirúrgico. O bebê nasceu com vida, mas com sinais vitais extremamente baixos. A equipe médica relatou aos pais que foram tentados todos os protocolos de reanimação, incluindo entubação, ventilação assistida e doses de adrenalina, mas o recém-nascido não resistiu.

A suspeita da família é reforçada por supostas divergências entre os profissionais do próprio hospital. Conforme relatado por Neon no boletim de ocorrência, houve hesitação por parte da administração na entrega da declaração de óbito, sob a justificativa de estarem "buscando a descrição correta da causa da morte". O pai afirma ainda que alguns profissionais da unidade teriam demonstrado desconforto com o procedimento adotado durante a madrugada, sugerindo internamente que a demora pode ter sido o fator determinante para o óbito.

Repercussão e investigação oficial

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) confirmou que o caso foi registrado como homicídio culposo — quando não há a intenção de matar — na Delegacia Seccional de Registro. A investigação agora deve focar na escala de profissionais do hospital e nos protocolos de urgência adotados. Perícias técnicas e depoimentos de toda a equipe assistencial serão fundamentais para determinar se a ausência de um médico especialista em regime de prontidão configurou falha na prestação de serviço essencial.

A Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Registro (Apamir), entidade que administra o Hospital São João, manifestou-se por meio de nota oficial. A instituição afirmou estar adotando todas as providências internas para apurar os fatos com responsabilidade e reafirmou seu compromisso com a transparência e a segurança dos pacientes. O caso gerou forte comoção nas redes sociais e entre os moradores do Vale do Ribeira, levantando debates sobre a infraestrutura hospitalar em cidades do interior e o direito das mulheres a um atendimento obstétrico digno e ágil.

A relevância do debate sobre violência obstétrica

Casos como o de Anthony trazem à tona discussões profundas sobre a assistência materno-infantil no Brasil. Especialistas apontam que a demora na tomada de decisão em partos de alto risco ou em situações de sofrimento fetal é uma das principais causas de óbitos neonatais evitáveis. A análise jurídica do caso deverá verificar se houve o chamado "erro sistêmico", onde a falta de recursos humanos compromete a vida do paciente, ou se houve negligência individual específica.

Enquanto o inquérito avança, a família de Bruna e Neon busca o amparo necessário para atravessar o luto, esperando que a justiça ajude a evitar que outros pais passem pela mesma dor. O caso serve como um alerta para a necessidade de fiscalização rigorosa nos plantões médicos e no cumprimento das diretrizes do Ministério da Saúde para o atendimento em maternidades.

A busca pela verdade é o compromisso que move o Impacto1 Jornal. Continuaremos acompanhando de perto os desdobramentos desta investigação e os resultados dos laudos periciais que devem esclarecer o que ocorreu naquela madrugada em Registro. Para manter-se informado sobre este e outros temas de relevância social com profundidade e seriedade, continue acompanhando nossa cobertura jornalística.

Fonte: https://g1.globo.com

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