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Na ONU, Lula reforça defesa do multilateralismo e cobra reforma do Conselho de Segurança

© Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para Nova York neste domingo (20) com uma missão diplomática clara: reafirmar o papel do Brasil como um mediador de peso no cenário global e insistir na modernização das instituições internacionais. Em sua 11ª participação na Assembleia Geral das Nações Unidas, o mandatário brasileiro abre a seção de alto nível da 81ª edição do evento, mantendo a tradição diplomática que concede ao Brasil a palavra inicial desde os primórdios da organização. O discurso ocorre em um momento de extrema fragilidade do sistema multilateral, pressionado por conflitos armados persistentes e por uma aparente paralisia das potências mundiais diante de crises humanitárias.

A participação de Lula em 2024 carrega um simbolismo de continuidade e urgência. Das onze vezes em que esteve no púlpito da ONU como chefe de Estado, esta talvez seja a que apresenta os desafios mais complexos em termos de segurança internacional. O governo brasileiro pretende usar o espaço para enfatizar que o atual modelo de governança global, desenhado no pós-Segunda Guerra Mundial, já não reflete as correlações de força do século XXI, tornando-se ineficaz para mediar as disputas contemporâneas.

A reforma do Conselho de Segurança e a crise do multilateralismo

Um dos pilares centrais da fala de Lula será a reforma do Conselho de Segurança da ONU. O Brasil, integrante do chamado G4 (ao lado de Alemanha, Índia e Japão), defende há décadas a expansão do órgão e a inclusão de novos membros permanentes, especialmente do Sul Global. A crítica brasileira reside na dificuldade que o Conselho tem demonstrado para aprovar resoluções eficazes que ponham fim a guerras, muitas vezes devido ao uso indiscriminado do poder de veto pelos cinco membros permanentes (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido).

Ao defender o multilateralismo, Lula não apenas propõe uma mudança burocrática, mas uma alteração na filosofia das relações internacionais. O Itamaraty entende que, sem uma representatividade real da África, América Latina e parte da Ásia, as decisões da ONU perdem legitimidade perante a maior parte da população mundial. O respeito ao direito internacional humanitário e o princípio da não interferência em assuntos internos também serão reiterados como ferramentas essenciais para a paz duradoura.

A dinâmica bilateral e a relação com os Estados Unidos

Para além do discurso oficial, a agenda em Nova York é composta por um intenso tabuleiro de negociações de bastidor. Lula deve se reunir com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que se aproxima do fim de seu mandato em meio a críticas sobre a limitação da própria entidade. Outro encontro relevante será com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, figura da ala progressista do Partido Democrata, o que sinaliza uma aproximação estratégica com lideranças locais de perfil semelhante ao do governo brasileiro.

A expectativa em torno de Donald Trump

Apesar de não haver uma reunião bilateral confirmada oficialmente pelo Palácio do Itamaraty, a presença de Donald Trump na Assembleia Geral gera especulações. O presidente norte-americano será o segundo a discursar, logo após Lula, o que cria a possibilidade real de um encontro informal nos corredores do plenário. No ano passado, ambos demonstraram uma inesperada cordialidade, com Trump chegando a elogiar a "química excelente" com o líder brasileiro. Esse diálogo, embora pareça protocolar, é vital para manter canais abertos com Washington, independentemente das oscilações políticas internas nos EUA.

Brasil no G20 e a Aliança Global contra a Fome

A viagem também serve como vitrine para a presidência brasileira no G20. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, levarão adiante a proposta da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. O objetivo é transformar o combate à insegurança alimentar em uma prioridade global coordenada, unindo esforços de financiamento e transferência de tecnologias sociais que funcionaram no Brasil, como os programas de transferência de renda e agricultura familiar.

A delegação brasileira em Nova York é robusta e reflete a transversalidade das políticas públicas atuais. Ministros de pastas como Gestão, Povos Indígenas e Igualdade Racial também participam de agendas paralelas, discutindo desde a democratização do serviço público até a proteção de biomas e direitos de minorias. Essa presença massiva demonstra que a política externa do país busca ir além da diplomacia tradicional, focando também em pautas sociais e ambientais que hoje ditam os investimentos internacionais.

Relevância do momento para a geopolítica regional

O protagonismo do Brasil na Zopacas (Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul), presidida pelo país por um período de três anos, também estará em pauta. Essa organização é estratégica para garantir que o Atlântico Sul permaneça livre de armas nucleares e focado na cooperação econômica e ambiental entre as nações africanas e sul-americanas. No contexto de tensões crescentes no hemisfério norte, a manutenção de uma zona de paz no sul torna-se um ativo diplomático valioso.

As reuniões de blocos como o Brics e a Celac, que ocorrerão ao longo da semana com a presença de Mauro Vieira, reforçam que o Brasil não atua de forma isolada, mas como líder de coalizões que buscam equilibrar a balança de poder global. Ao final da jornada, espera-se que o país tenha consolidado sua posição como uma voz que, embora crítica, é profundamente comprometida com a preservação da ONU e da ordem democrática internacional.

O Impacto1 Jornal segue acompanhando de perto os desdobramentos da agenda presidencial em Nova York e as repercussões das propostas brasileiras no cenário internacional. Fique atento às nossas atualizações para compreender como essas movimentações diplomáticas impactam a economia, a política e a imagem do Brasil no exterior. Nossa missão é trazer a informação com a profundidade que o leitor exige e o compromisso com a verdade que o jornalismo sério requer.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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