O setor agroindustrial de Santa Catarina entrou em estado de alerta após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma propriedade comercial no município de Nova Itaberaba, na região Oeste do estado. A detecção do vírus, confirmada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mobilizou imediatamente as autoridades sanitárias, resultando no monitoramento preventivo de 133 granjas situadas em um raio que abrange quatro municípios catarinenses. A medida visa conter a propagação da enfermidade, que possui alto potencial de impacto econômico para o setor avícola brasileiro.
A ocorrência foi identificada em uma granja dedicada à criação de perus, que contava com um plantel de aproximadamente 6 mil aves. De acordo com os protocolos sanitários internacionais, o local foi interditado e as aves passarão por um processo de abate sanitário, seguido de uma rigorosa desinfecção das instalações. A ação é coordenada pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) em conjunto com o Serviço Veterinário Oficial, buscando garantir que o vírus não se espalhe para outras unidades produtivas da região.
Monitoramento estratégico e contenção regional
O raio de vigilância estabelecido pelas autoridades não se restringe apenas a Nova Itaberaba. As ações de controle e acompanhamento epidemiológico foram estendidas aos municípios vizinhos de Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Esse cinturão de monitoramento é essencial para validar a sanidade do rebanho avícola local e assegurar aos parceiros comerciais a eficácia dos sistemas de controle brasileiros.
A identificação do foco ocorreu durante as atividades de vigilância ativa realizadas rotineiramente pela Cidasc. Segundo a presidente da companhia, Celles Regina de Matos, o diagnóstico foi precoce, o que permitiu uma resposta rápida antes que os sinais clínicos se tornassem evidentes ou houvesse mortalidade expressiva. 'O vírus foi confirmado, mas as aves ainda não apresentavam sintomas clínicos ou aumento de mortalidade, o que demonstra a eficiência do nosso sistema de detecção precoce', afirmou a presidente.
O que é a doença de Newcastle e os riscos envolvidos
A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres. Causada pelo paramixovírus aviário de sorotipo 1 (APMV-1), ela pode provocar desde problemas respiratórios leves até quadros graves que levam à morte súbita dos animais. Entre os sintomas mais comuns observados em aves infectadas estão a tosse, espirros, tremores, paralisia de asas ou pernas, pescoço torcido e uma queda drástica na produção de ovos.
Para o ser humano, o risco é considerado baixo. A transmissão ocorre majoritariamente pelo contato direto com aves doentes ou secreções, não sendo transmitida pelo consumo de carne ou ovos inspecionados. Em casos raros de contato direto e desprotegido com o vírus, humanos podem desenvolver uma conjuntivite transitória, que costuma regredir em cerca de uma semana sem sequelas graves. Portanto, o Ministério da Agricultura reforça que o consumo de produtos avícolas que possuem o selo de inspeção oficial permanece totalmente seguro para a população.
Impactos econômicos e mercado internacional
A confirmação de um foco de Newcastle em um estado como Santa Catarina, que é um dos maiores exportadores de proteína animal do mundo, exige transparência absoluta com o mercado externo. O Brasil já iniciou o processo de notificação à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e aos seus parceiros comerciais. A agilidade na resposta e o rigor no isolamento da área são fundamentais para evitar embargos generalizados e manter a confiança na avicultura nacional, que é um dos pilares do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário.
Orientações aos produtores e próximos passos
A Cidasc e o Mapa emitiram orientações urgentes para que todos os produtores rurais, não apenas da região Oeste mas de todo o estado, intensifiquem as medidas de biosseguridade em suas propriedades. Isso inclui o controle rigoroso de acesso de pessoas e veículos às granjas, a proteção de fontes de água e alimentos contra aves silvestres e a higienização constante de equipamentos.
Qualquer suspeita de anormalidade no comportamento das aves ou aumento súbito na mortalidade deve ser comunicada imediatamente aos órgãos de defesa sanitária. A colaboração do produtor é o elo mais importante na corrente de proteção da economia catarinense. A retomada das atividades na granja onde o foco foi identificado só ocorrerá após a conclusão de todos os ciclos de desinfecção e o vazio sanitário, garantindo que o ambiente esteja totalmente livre do agente patogênico.
Acompanhar os desdobramentos de casos como este é essencial para entender os desafios da nossa agroindústria e a segurança dos alimentos que chegam à sua mesa. O Impacto1 Jornal segue monitorando a situação em Santa Catarina e trará atualizações conforme novos laudos e decisões técnicas forem divulgados. Continue conosco para se manter informado com profundidade e responsabilidade sobre os temas que impactam o seu dia a dia e a economia do país.
Fonte: https://g1.globo.com