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Tecnologia usada no Coliseu de Roma vai ajudar a preservar o Museu do Ipiranga

G1

O Museu do Ipiranga, um dos maiores símbolos da história e da identidade nacional brasileira, está entrando em uma nova era de conservação preventiva. Localizado no coração de São Paulo, o edifício histórico passou a contar com uma tecnologia de ponta, a mesma utilizada para o monitoramento estrutural do Coliseu de Roma, na Itália. A iniciativa visa garantir que o palácio, que completou 131 anos, continue a atravessar as décadas com sua integridade preservada, antecipando-se ao desgaste natural do tempo através de diagnósticos digitais de altíssima precisão.

Um 'exame médico' digital para o edifício centenário

A preservação de monumentos históricos é um desafio constante, pois nem todos os danos são visíveis a olho nu. Para solucionar essa limitação, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Ferrara, na Itália, em colaboração com especialistas brasileiros, implementou um sistema de escaneamento a laser em 3D. O processo funciona como uma espécie de 'tomografia' ou 'raio-X' arquitetônico, permitindo que os técnicos visualizem o que acontece por dentro das paredes e estruturas do museu.

Marcello Balzani, professor de Arquitetura da Universidade de Ferrara, explica que a tecnologia permite navegar pelo espaço como se ele fosse um organismo vivo. Através desse mapeamento, é possível identificar fissuras milimétricas, desníveis de solo ou deformações estruturais que, se ignoradas, poderiam evoluir para problemas graves e onerosos no futuro. A ideia central é tratar o prédio não apenas como um objeto estático, mas como uma estrutura que respira e reage às mudanças climáticas e ao fluxo constante de visitantes.

A tecnologia da 'nuvem de pontos' e o gêmeo digital

O coração dessa inovação reside na criação de uma nuvem de pontos. Scanners a laser de alta frequência capturam milhões de coordenadas espaciais de cada centímetro do Museu do Ipiranga, tanto em suas fachadas ornamentadas quanto em seus suntuosos interiores. Esses dados são processados por softwares avançados para criar um 'gêmeo digital' — uma réplica virtual perfeita do edifício que serve como base para monitoramento em tempo real.

Com esse modelo digital, a equipe de manutenção pode realizar simulações e comparar o estado atual do prédio com registros anteriores. Se uma rachadura se expandir um milímetro que seja, o sistema alerta os responsáveis. Essa metodologia é a mesma aplicada no Coliseu de Roma, que possui quase dois mil anos de história, provando ser eficaz na gestão de patrimônios que exigem cuidado extremo e intervenções mínimas.

Parceria com a USP e economia de recursos

O projeto no Brasil é fruto de uma parceria estratégica com a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP). Segundo a professora Beatriz Kuhl, especialista em restauração, a adoção dessa tecnologia representa um salto na gestão do patrimônio público. A manutenção preditiva não apenas protege a história, mas também é economicamente inteligente. Ao identificar a necessidade de trocar uma telha ou reparar um interruptor antes que ocorra uma infiltração ou curto-circuito, o Estado economiza milhões de reais que seriam gastos em restaurações emergenciais e invasivas.

Kuhl ressalta que, embora o museu tenha sido construído com materiais de altíssima qualidade para a época, ele não se regenera sozinho. A vigilância tecnológica atua como uma barreira contra o envelhecimento precoce, garantindo que o edifício, reaberto em 2022 após uma reforma de quase dez anos, não precise passar novamente por um fechamento prolongado por falta de zeladoria sistemática.

O valor social e cultural da preservação

Manter o Museu do Ipiranga em perfeitas condições é fundamental para a memória coletiva do Brasil. Localizado no local onde, historicamente, foi proclamada a independência do país, o museu abriga um acervo inestimável que narra a formação da sociedade brasileira. A utilização de tecnologia de ponta eleva o patamar da museologia nacional, alinhando São Paulo às melhores práticas internacionais de conservação de patrimônio da humanidade.

A repercussão dessa parceria internacional tem sido vista com otimismo pela comunidade acadêmica e pelos entusiastas da cultura. O uso de ciência aplicada à arte e à arquitetura reforça a importância da universidade pública e da cooperação global na proteção de legados que pertencem a toda a sociedade. O Museu do Ipiranga agora não é apenas um monumento ao passado, mas um exemplo de como o futuro da tecnologia pode servir à história.

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Fonte: https://g1.globo.com

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