PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.

Doença de Newcastle em Santa Catarina: abate de aves e impacto nas exportações ligam alerta no setor

G1

O setor avícola brasileiro, um dos pilares da economia nacional e líder global em exportações, enfrenta um momento de cautela e monitoramento intensivo. A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial no município de Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, mobilizou autoridades sanitárias e gerou repercussões imediatas no mercado internacional. Em uma operação de emergência, cerca de 6 mil perus foram abatidos e descartados para conter o avanço do vírus, evidenciando o rigor dos protocolos de biosseguridade aplicados no estado.

Ações de contenção e o protocolo sanitário em Nova Itaberaba

O foco da doença foi detectado em dois galpões de uma propriedade comercial na região Oeste catarinense. De acordo com a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), o abate sanitário ocorreu entre os dias 19 e 20 de agosto. Seguindo as normas internacionais de controle de enfermidades animais, as carcaças foram enterradas em valas específicas, vistoriadas por órgãos ambientais, juntamente com todo o material que teve contato direto com as aves infectadas.

O procedimento não se encerra com o descarte. A granja em questão passa agora por um rigoroso processo de desinfecção para garantir a eliminação de qualquer resquício viral. Para evitar que o patógeno se espalhe para propriedades vizinhas, foi estabelecido um raio de vigilância de 10 quilômetros a partir do ponto focal. Nove equipes técnicas estão em campo visitando cerca de 1,6 mil propriedades rurais, incluindo granjas comerciais e criações de subsistência, para realizar exames clínicos e coletas de amostras em pontos estratégicos.

O que é a doença de Newcastle e os riscos envolvidos

Diferente da gripe aviária (IAAP), que tem dominado as manchetes globais nos últimos anos, a doença de Newcastle é causada por um vírus específico (paramixovírus aviário de sorotipo 1) que afeta aves domésticas e silvestres. A enfermidade é conhecida por sua alta taxa de mortalidade entre os animais, apresentando sinais respiratórios, digestivos e, em casos graves, neurológicos. No entanto, para os seres humanos, o risco é considerado muito baixo.

Especialistas ressaltam que a transmissão para humanos ocorre apenas pelo contato direto e prolongado com aves doentes, podendo causar uma conjuntivite transitória com duração média de uma semana. É fundamental esclarecer que a doença não é transmitida pelo consumo de carne de aves ou ovos, desde que os produtos tenham passado pela inspeção oficial. O impacto real da Newcastle é, portanto, predominantemente econômico e produtivo, dada a rapidez com que pode dizimar planteis inteiros e fechar mercados externos.

Impacto econômico e as restrições internacionais

A confirmação do caso em Santa Catarina — o segundo maior produtor e exportador de carne de frango do Brasil — reverberou rapidamente nas mesas de negociação internacional. Até o momento, cinco países anunciaram restrições. Enquanto China, Chile e Arábia Saudita limitaram a suspensão apenas aos produtos originários de Santa Catarina, o México e a Malásia adotaram medidas mais severas, suspendendo a importação de carne de aves de todo o território brasileiro.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) monitora a situação e afirma que ainda é cedo para calcular o prejuízo financeiro total para os produtores catarinenses. Contudo, o setor trabalha em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para demonstrar aos compradores estrangeiros que o caso é isolado e que as medidas de contenção foram aplicadas com agilidade. O Brasil detém um status sanitário diferenciado e a transparência na notificação é a principal ferramenta para recuperar a confiança dos mercados.

A importância dos selos de inspeção para o consumidor

Para a população local e regional, a mensagem das autoridades é de tranquilidade quanto ao consumo. A segurança alimentar é garantida pela rede de fiscalização que atua antes do produto chegar às prateleiras. Ao comprar produtos avícolas, o consumidor deve observar a presença dos selos de inspeção sanitária na embalagem: o SIM (Municipal), o SIE (Estadual) ou o SIF (Federal). Esses selos atestam que o alimento foi produzido sob vigilância veterinária constante, seguindo todos os padrões de higiene e saúde.

Próximos passos e vigilância constante

As próximas semanas serão decisivas para que o Brasil retome o status de área livre da doença. A vigilância ativa nas 1,6 mil propriedades mapeadas continuará até que todos os resultados laboratoriais confirmem a ausência de circulação viral fora do foco original. A integração entre o setor produtivo, órgãos de defesa sanitária e o governo federal é o que sustenta a resiliência da avicultura catarinense diante de crises biológicas.

O monitoramento rigoroso e a resposta rápida ao foco em Nova Itaberaba demonstram a maturidade do sistema de defesa sanitária brasileiro. Continuar acompanhando os desdobramentos deste caso é essencial para entender os rumos do agronegócio e da economia regional. Para manter-se bem informado sobre este e outros temas que impactam o seu dia a dia, continue acompanhando o Impacto1 Jornal, seu portal de referência para notícias apuradas com profundidade e compromisso com a verdade.

Fonte: https://g1.globo.com

Leia mais

PUBLICIDADE