A temporada de vestibulares e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) representam, para milhões de jovens brasileiros, um dos momentos de maior pressão psicológica e exigência de desempenho de suas vidas. Guardadas as devidas proporções, a rotina de um estudante em busca de uma vaga na universidade assemelha-se muito à de um atleta de alto rendimento: exige disciplina, preparo físico e mental, além de uma capacidade apurada de lidar com a expectativa e a frustração. Foi com base nessa analogia que a eterna "Rainha" do basquete brasileiro, Hortência Marcari, compartilhou valiosas lições de sua carreira vitoriosa para auxiliar os candidatos nessa reta final.
O encontro entre as quadras e as salas de aula
Durante um evento realizado em Campinas, no interior de São Paulo, a medalhista olímpica e integrante do Hall da Fama do Basquete Mundial participou de uma palestra voltada para vestibulandos. Em sua fala, Hortência desmistificou a ideia de que o sucesso — seja no esporte ou nos estudos — depende de um dom sobrenatural ou da ausência completa de medo. Para ela, o segredo reside na segurança construída através do esforço contínuo.
Ao ser questionada sobre como mantinha a calma antes de decisões históricas pela seleção brasileira, a ex-jogadora foi enfática: a confiança é o subproduto direto do estudo e da prática. “Como você tem confiança? É porque você estudou”, resumiu. Segundo Hortência, o nervosismo paralisante geralmente surge da dúvida sobre o próprio preparo, enquanto a ansiedade natural é apenas o corpo sinalizando que se está pronto para o desafio.
As cinco estratégias da Rainha para os estudantes
A preparação para os grandes exames nacionais, como Fuvest, Unicamp e o próprio Enem, exige mais do que apenas o domínio de fórmulas e regras gramaticais. É necessário um ajuste de mentalidade que permita ao estudante atravessar longas horas de prova sem perder o equilíbrio emocional. Confira a seguir as cinco orientações fundamentais de Hortência para converter o esforço em resultados.
1. A aceitação do erro e a busca pela segurança
Muitos estudantes entram na sala de prova com o peso de que não podem errar nada. No entanto, a mentalidade de atleta ensina que a perfeição absoluta é uma meta irreal e perigosa. Hortência destaca que o foco deve estar na segurança. Para ela, quem se dedica aos estudos não chega à prova esperando acertar todas as questões de forma milagrosa, mas sim com a tranquilidade de que possui as ferramentas necessárias para resolver os problemas apresentados.
2. O perigo das revisões desesperadas
Um erro comum entre os vestibulandos é tentar compensar meses de estudo negligenciado nos últimos dias antes da prova. A campeã adverte que essa estratégia raramente funciona e apenas aumenta o nível de estresse. No basquete, não se aprende um arremesso decisivo na véspera da final; o mesmo vale para o conteúdo acadêmico. A preparação é uma maratona, não um sprint final desordenado.
3. O descanso como parte do treinamento
No esporte de alto nível, o descanso é chamado de "treino invisível". Hortência reforça que, na reta final, o cérebro precisa de pausas para consolidar o conhecimento. "Às vezes, o descanso, o relaxamento, a concentração e a respiração são muito mais importantes do que ficar ali estudando a noite inteira", pontuou a ex-atleta. Dormir bem e manter uma alimentação equilibrada não são luxos, mas requisitos básicos para que o cérebro funcione em sua capacidade máxima durante o exame.
4. Blindagem do foco e priorização
Viver em um mundo hiperconectado oferece distrações constantes que podem minar o rendimento escolar. A dica de Hortência é clara: estabelecer uma hierarquia de prioridades. Durante o período de preparação, o objetivo principal deve ser protegido. Isso significa saber dizer "não" a atividades que dispersem a energia necessária para o foco nos estudos, garantindo que o planejamento seja seguido à risca, sem interferências externas.
5. Transformando a derrota em aprendizado
Nem sempre o resultado esperado vem na primeira tentativa, e lidar com a não aprovação é um dos maiores desafios para os jovens. A ex-jogadora utiliza sua experiência com derrotas em quadra para ensinar resiliência: quando se perde um jogo, o passo seguinte é analisar o erro para não repeti-lo. No vestibular, uma reprovação não deve ser vista como um fim, mas como um diagnóstico de onde é preciso reforçar o estudo para a próxima oportunidade.
A relevância do preparo emocional
O depoimento de uma das maiores figuras do esporte mundial reforça uma tendência crescente na educação moderna: a importância das chamadas competências socioemocionais. Saber gerir o tempo, controlar a ansiedade e manter a motivação após um revés são habilidades que acompanham o indivíduo muito além da vida acadêmica, sendo essenciais no mercado de trabalho e na vida pessoal.
A trajetória de Hortência, marcada por superações e conquistas épicas, serve de inspiração para que os estudantes compreendam que o vestibular é apenas uma das muitas "partidas" que enfrentarão. Com o preparo adequado e a mente de um campeão, o caminho para o sucesso torna-se uma consequência natural do trabalho bem executado.
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Fonte: https://g1.globo.com