A dois dias do primeiro turno das eleições de 2026, a sexta-feira, 2 de outubro, marcou o último esforço das campanhas presidenciais para consolidar votos e atrair os indecisos. Em um cenário de alta polarização e mobilização intensa, os candidatos percorreram diversas regiões do país, priorizando grandes colégios eleitorais como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. O dia foi caracterizado por uma mistura de atos de rua, discursos sobre a harmonia entre os Poderes e pautas econômicas que afetam diretamente o bolso do consumidor e do produtor nacional.
Lula aposta no Rio de Janeiro e no voto facultativo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, concentrou suas atividades no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. Na capital fluminense, o petista realizou um desfile em carro aberto que percorreu o centro histórico, da Candelária à Cinelândia, reduto tradicional de manifestações políticas. O foco central de seu discurso foi o apelo emocional e cívico direcionado aos eleitores com mais de 70 anos. Como nessa faixa etária o voto é facultativo, a campanha busca reduzir a abstenção para garantir uma vantagem competitiva no domingo.
Lula reforçou que a participação dos idosos é um exemplo para as gerações mais novas, mencionando que o comparecimento às urnas ajuda a definir o futuro de filhos e netos. Mais tarde, em Belo Horizonte, o candidato mudou o tom para a defesa das instituições de ensino e tecnologia. Em Minas Gerais, estado considerado um termômetro decisivo para as eleições nacionais, ele defendeu a ampliação de investimentos em universidades federais e na produção científica nacional como pilares de um eventual segundo mandato.
A força do PL em Minas Gerais e as críticas de Caiado à economia
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro (PL) concentrou seus esforços no Norte de Minas, em Montes Claros. Ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira, um dos principais puxadores de votos da legenda, Flávio buscou nacionalizar pautas de costumes e reforçar a base conservadora da região. A estratégia de utilizar figuras jovens de grande alcance nas redes sociais visa garantir que o engajamento digital se transforme em presença efetiva nas seções eleitorais no próximo dia 4.
Em Goiás, o candidato Ronaldo Caiado (PSD) trouxe para a campanha um tema que tem gerado intensos debates no setor produtivo: a tributação de compras internacionais. Durante caminhadas em polos comerciais de Goiânia, como a Região da 44, Caiado criticou a isenção de impostos para compras no exterior de até US$ 50. O candidato argumentou que o benefício cria uma concorrência desleal com o varejo e a indústria brasileira, defendendo que o empresário local receba o mesmo tratamento fiscal para manter a competitividade e os empregos no país.
Questionamentos ao Judiciário e propostas de pacto institucional
Em Brasília, Augusto Cury (Avante) utilizou a Praça dos Três Poderes como palco para um ato crítico. O candidato se posicionou contra o que chamou de interferências excessivas nas eleições e teceu duras críticas a recentes decisões judiciais que, segundo ele, extrapolam as competências constitucionais. Cury propôs a criação de um novo pacto entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, ressaltando que, embora o Judiciário seja o guardião da Constituição, deve haver limites claros para sua atuação para não desequilibrar o sistema democrático.
Outros candidatos buscaram nichos específicos para suas últimas mensagens antes do pleito. Edmilson Costa (PCB) e Wilson Grassi (Democrata) priorizaram entrevistas a veículos de rádio e canais digitais, tentando alcançar eleitores fora das grandes bolhas midiáticas. Já Samara Martins (UP) e Hertz Dias (PSTU) mantiveram a tradição das mobilizações de rua com caminhadas em Recife e São Paulo, focando no contato direto com trabalhadores e movimentos populares.
O silêncio estratégico e a logística do dia da votação
Por outro lado, nomes como Romeu Zema (Novo) e Clariana Barão (DC) optaram por não realizar agendas públicas nesta sexta-feira. Esse tipo de pausa costuma ser utilizado pelas equipes de campanha para ajustes internos de logística, preparação para os momentos finais de fiscalização e gravação de conteúdos para as redes sociais, que continuam sendo o principal campo de batalha informativo até as vésperas da votação.
Além da movimentação política, o eleitor deve ficar atento às normas para o domingo. Em diversas regiões, a Lei Seca estará em vigor, limitando a venda de bebidas alcoólicas para garantir a ordem pública. Além disso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e diversas prefeituras confirmaram o funcionamento do transporte público gratuito, uma medida que visa facilitar o acesso democrático às urnas. É fundamental que o cidadão consulte seu local de votação com antecedência e esteja ciente do que é permitido, como o uso de adesivos e broches silenciosos, e do que é proibido, como o uso de celulares dentro da cabine de votação.
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