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Alunos de Votorantim criam sistema integrado a robô humanoide com inteligência artificial para apoiar aprendizagem

G1

A educação brasileira vive um momento de transição profunda, onde a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma aliada estratégica no processo cognitivo. Em Votorantim, no interior de São Paulo, um grupo de estudantes do Ensino Médio está na vanguarda dessa transformação. Alunos do 3º ano do Sesi Votorantim desenvolveram o "Mentor Maker", um sistema inovador que integra hardware, software e uma robô humanoide dotada de inteligência artificial para mediar o ensino em sala de aula.

O projeto não nasceu apenas do desejo de criar algo tecnológico, mas da observação atenta das dificuldades cotidianas no ambiente escolar. Os estudantes Felipe Augusto Gomes, Pedro Henrique Detonhe e Samuel Pires, sob a orientação do professor Marcelo Dias, identificaram que o grande volume de alunos em salas de aula de alta demanda muitas vezes impede que o professor atenda a todos de forma equânime e imediata. A solução encontrada foi automatizar a sinalização de dúvidas e utilizar a robótica para manter o engajamento dos jovens.

O desafio do uso ético da inteligência artificial nas escolas

Um dos pilares que sustenta o Mentor Maker é a preocupação com a forma como os jovens interagem com as novas tecnologias. Com a popularização de ferramentas de IA generativa, tornou-se comum que estudantes busquem respostas prontas, o que pode atrofiar a capacidade crítica e o raciocínio lógico. O grupo de Votorantim decidiu remar contra essa maré, configurando seu sistema para ser um incentivador do pensamento autônomo.

Segundo Pedro Henrique Detonhe, um dos criadores, o uso equivocado da IA é uma realidade global. Muitas vezes, a tecnologia é vista como um atalho, e não como um suporte para o entendimento. Por isso, a proposta do sistema desenvolvido em Votorantim é instigar o aluno a encontrar o caminho por conta própria, utilizando a tecnologia como um guia que oferece pistas, circuitos e referências visuais, em vez de simplesmente entregar o resultado final de uma equação ou problema.

Como funciona o ecossistema Mentor Maker

O funcionamento do sistema é prático e focado na dinâmica de grupo. Painéis eletrônicos instalados nas bancadas permitem que os alunos sinalizem, em tempo real, o grau de dificuldade que estão enfrentando em determinada tarefa. Esses dados são processados e geram uma fila de prioridades, indicando ao professor quais grupos ou indivíduos necessitam de intervenção urgente. Essa organização otimiza o tempo do docente e garante que ninguém fique para trás por falta de auxílio.

A presença da robô LEIA na sala de aula

O ponto alto do projeto é a integração com a robô humanoide LEIA. Ela atua como a interface física da inteligência artificial, sendo capaz de ouvir as dúvidas dos estudantes e responder de forma interativa. Mais do que falar, a robô exibe imagens e diagramas em sua interface, auxiliando na visualização de conceitos abstratos, especialmente em disciplinas de exatas e robótica.

A LEIA funciona como uma assistente de ensino que estimula a postura questionadora. Ao receber uma pergunta, a robô pode devolver uma nova pergunta ou sugerir um experimento, mantendo o estudante no fluxo de aprendizagem ativa. Essa interação lúdica e tecnológica tem se mostrado eficaz para aumentar a concentração e o interesse dos alunos pelo conteúdo programático.

O papel do professor no novo cenário tecnológico

Uma das maiores discussões contemporâneas sobre IA é o temor da substituição de profissionais humanos. No entanto, o projeto Mentor Maker reforça a ideia de que o professor é insubstituível. O orientador Marcelo Dias destaca que a tecnologia assume as tarefas repetitivas e de triagem, permitindo que o educador se dedique ao que é essencial: o suporte socioemocional, o projeto de vida do aluno e a mediação de conflitos.

O sistema oferece ao professor um relatório detalhado sobre o desempenho da turma, permitindo que ele ajuste suas abordagens pedagógicas com base em dados concretos. Assim, a tecnologia não retira a autoridade do mestre, mas potencializa sua capacidade de ensinar de forma personalizada, atendendo às necessidades específicas de cada estudante em um ambiente coletivo.

Reconhecimento e o futuro da pesquisa em Votorantim

O esforço dos jovens pesquisadores já colhe frutos significativos. O Mentor Maker conquistou o segundo lugar no Sesi Makerthon 2026, uma competição que reuniu mais de 120 propostas inovadoras de todo o estado de São Paulo. Para os alunos, o prêmio é um reconhecimento do trabalho árduo, mas a maior satisfação reside em ver a aplicação prática de seus estudos na melhoria da comunidade escolar.

A iniciativa de Votorantim não se encerra com a premiação. O projeto foi institucionalizado como uma pesquisa contínua na unidade do Sesi. A ideia é que o sistema seja constantemente aprimorado por novas gerações de estudantes, servindo de base para futuras feiras de iniciação científica e, possivelmente, sendo implementado em outras unidades escolares. A trajetória de Felipe, Pedro e Samuel demonstra que a escola é o solo fértil para soluções que unem tecnologia de ponta e propósito social.

O avanço da inteligência artificial na educação é inevitável, e iniciativas como a de Votorantim mostram que é possível liderar essa mudança com responsabilidade e criatividade. No Impacto1 Jornal, continuaremos acompanhando de perto as inovações que transformam o aprendizado e abrem novos horizontes para os jovens brasileiros. Fique atento às nossas atualizações e descubra como a ciência e a educação estão construindo o futuro do país.

Fonte: https://g1.globo.com

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