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Resistência às vacinas contra gripe e covid-19 coloca gestantes e bebês em risco no Brasil

© Fernando Frazão/Agência Brasil

O período da gestação é marcado por uma série de cuidados que vão desde a alimentação balanceada até a rotina rigorosa de exames laboratoriais. No entanto, um pilar fundamental da saúde materno-infantil tem enfrentado obstáculos crescentes no Brasil: a imunização. Enquanto algumas mulheres seguem à risca o calendário vacinal, uma parcela significativa da população gestante tem hesitado em se proteger contra doenças como a gripe (influenza) e a covid-19, o que acende um alerta vermelho nas autoridades sanitárias e nas maternidades de todo o país.

Nataly Saldanha, moradora do Rio de Janeiro, é um exemplo do que os médicos chamam de 'gestante nota 10'. Prestes a dar à luz, ela manteve sua caderneta de vacinação rigorosamente em dia durante as 39 semanas de gravidez. Para ela, a decisão não foi apenas individual, mas um ato de proteção à pequena Noely, que deve chegar nos próximos dias. Da mesma forma, a analista de marketing Raissa Silva de Oliveira, à espera de Rafael, reforça que a confiança na ciência foi o que guiou seu pré-natal. Contudo, as histórias de Nataly e Raissa, embora inspiradoras, contrastam com uma realidade estatística preocupante.

O abismo entre a meta e a realidade vacinal

Dados recentes do Ministério da Saúde revelam que o Brasil está longe de atingir as metas ideais de cobertura vacinal para gestantes. Enquanto o objetivo é proteger pelo menos 90% desse público-alvo, os números reais mostram um cenário fragmentado. Em 2025, apenas 55% das grávidas buscaram o imunizante contra a covid-19. No caso da influenza, o índice ficou em 63%, apresentando uma leve melhora em dados preliminares de 2024 para 76%, mas ainda insuficiente para garantir a chamada imunidade de rebanho dentro desse grupo de risco.

Essa baixa adesão não é apenas uma questão de números estatísticos; ela se traduz em casos graves e óbitos que poderiam ser evitados. A hesitação vacinal deixa portas abertas para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Segundo levantamento do governo federal, entre 2022 e agosto de 2024, pelo menos 286 gestantes ou puérperas (mulheres no pós-parto) desenvolveram quadros graves de SRAG causados pelo vírus Influenza. Desse total, 25 mulheres perderam a vida.

O peso da desinformação e da negligência

Especialistas apontam que a resistência às vacinas possui raízes distintas dependendo da doença. Para Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a baixa procura pela vacina da gripe decorre de uma 'acomodação' e da desvalorização da patologia. Muitas pessoas ainda encaram a gripe como um incômodo passageiro, ignorando que, em organismos com alterações imunológicas — como o de uma gestante —, o vírus pode evoluir rapidamente para complicações pulmonares severas.

Já no caso da covid-19, o principal inimigo é a desinformação. O mito de que as vacinas seriam 'experimentais' ou teriam sido desenvolvidas sem o devido rigor científico ainda circula com força em grupos de redes sociais. A realidade, porém, aponta o contrário: o uso de tecnologias já conhecidas e a cooperação global permitiram uma resposta rápida e segura. A recusa baseada em notícias falsas tem custado caro. Durante o auge da pandemia (2020-2022), o Brasil registrou 811 mortes de gestantes ou puérperas por covid-19, um índice trágico que sublinha a vulnerabilidade extrema desse grupo sem a proteção vacinal.

Ciência comprova redução drástica de mortalidade

A eficácia da vacinação não é uma teoria, mas um fato comprovado por estudos brasileiros. Pesquisadores que compararam os períodos pré e pós-vacinação observaram que a taxa mensal de casos de SRAG em gestantes caiu para um terço. Mais impressionante ainda foi a redução na mortalidade, que passou a ser quase cinco vezes menor após a introdução das vacinas. Mesmo com esses avanços, influenza e covid-19 ainda respondem por cerca de 30% das hospitalizações graves em grávidas no Brasil atualmente.

É importante entender que a gestante não se vacina apenas por si mesma. A imunização durante a gravidez permite a transferência de anticorpos através da placenta, garantindo ao recém-nascido uma proteção crucial nos primeiros meses de vida, quando ele ainda não tem idade para receber certas vacinas. É uma barreira biológica que protege o bebê desde o primeiro suspiro.

O calendário completo oferecido pelo SUS

Além das vacinas contra gripe e covid-19, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece um pacote robusto de proteção para a gestante. Estão incluídos os imunizantes contra Hepatite B, a vacina dupla adulta (dT – contra difteria e tétano), a dTpa (que protege contra coqueluche e deve ser tomada a cada gestação) e, mais recentemente, a vacina contra o VSR (Vírus Sincicial Respiratório), fundamental para prevenir bronquiolites em bebês.

A saúde pública brasileira enfrenta o desafio de resgatar a confiança em um sistema que já foi referência mundial. O diálogo entre médicos e pacientes no consultório é a ferramenta mais eficaz para desmistificar medos e garantir que casos como os de Nataly e Raissa deixem de ser exceção e passem a ser a regra em todas as unidades de saúde do país.

Manter-se informado com base em evidências científicas é o primeiro passo para uma gestação segura e um futuro saudável para as próximas gerações. No Impacto1 Jornal, reforçamos nosso compromisso com a verdade e com a prestação de serviço à sociedade. Continue acompanhando nossas coberturas especiais sobre saúde e bem-estar para entender os fatos que moldam o cotidiano do Brasil e do mundo, sempre com a profundidade e a credibilidade que você merece.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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