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Campanha nacional alerta para os riscos da retinopatia diabética e a prevenção da cegueira

© CBO/Divulgação

O mês de dezembro começa com um alerta crucial para os milhões de brasileiros que convivem com o diabetes. Neste domingo (1º), o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) deu início à campanha “24 Dias pelo Diabetes”, uma iniciativa de fôlego que visa enfrentar uma das complicações mais severas e, muitas vezes, silenciosas da doença: a retinopatia diabética. A mobilização busca conscientizar não apenas os pacientes, mas toda a sociedade sobre a importância do diagnóstico precoce para evitar a perda definitiva da visão.

A retinopatia diabética não é apenas um problema médico isolado; ela representa um desafio de saúde pública no Brasil. Segundo a entidade, a doença figura entre as principais causas de cegueira evitável na população adulta em idade produtiva. Isso significa que pessoas no auge de suas carreiras e vidas sociais estão perdendo a capacidade de enxergar devido a uma condição que poderia ser controlada ou mitigada com informação e acesso a exames básicos.

A biologia da visão comprometida pelo açúcar

Para entender a gravidade do problema, é preciso compreender como o excesso de glicose atua no organismo. A retinopatia ocorre quando os níveis elevados de açúcar no sangue, mantidos de forma crônica ao longo dos anos, causam danos estruturais aos minúsculos vasos sanguíneos que irrigam a retina. Localizada no fundo do olho, a retina funciona como o “filme” de uma câmera fotográfica, sendo a estrutura responsável por captar a luz e transformá-la nos impulsos nervosos que o cérebro interpreta como imagens.

Quando esses vasos são danificados, eles podem romper, vazar fluidos ou até serem substituídos por novos vasos anormais e frágeis, que comprometem a nitidez visual. O grande perigo reside no fato de que essas alterações costumam ser graduais e indolores. Muitas vezes, quando o paciente percebe uma mancha ou distorção na visão, o dano já está em um estágio avançado, tornando o tratamento mais complexo e a recuperação menos garantida.

O peso dos números: quem está em risco?

As estatísticas apresentadas pelo CBO são contundentes e revelam uma realidade preocupante: uma em cada três pessoas com diabetes no Brasil desenvolverá algum grau de retinopatia em algum momento da vida. Atualmente, a prevalência da doença atinge entre 24% e 39% da população diabética no país, um contingente que se conta aos milhões.

O fator tempo como agravante

A variável tempo é o principal fator de risco para o desenvolvimento da condição. Os dados mostram que pacientes com diabetes tipo 1, após 20 anos de diagnóstico, apresentam uma chance de 90% de manifestar a retinopatia. Já no caso do diabetes tipo 2, o índice é de 60% para o mesmo período. Essa correlação direta entre a longevidade da doença e o comprometimento ocular reforça a necessidade de um acompanhamento oftalmológico que comece no dia do diagnóstico do diabetes, e não apenas quando os olhos começam a falhar.

O exame de fundo de olho: a defesa mais eficaz

Apesar do cenário parecer alarmante, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia traz uma mensagem de esperança baseada na ciência: se diagnosticada e tratada precocemente, o risco de cegueira por retinopatia diabética cai para menos de 5%. A ferramenta principal para essa prevenção é a fundoscopia, popularmente conhecida como exame de fundo de olho.

Este procedimento, previsto no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, é simples, rápido e indolor. Através dele, o oftalmologista consegue visualizar diretamente os vasos sanguíneos e o estado da retina, muitas vezes utilizando a dilatação da pupila para uma análise minuciosa. Identificar uma pequena alteração vascular antes que ela cause sangramentos é o que separa um tratamento bem-sucedido de uma perda visual irreversível.

Prevenção: o tratamento que começa no cotidiano

A campanha “24 Dias pelo Diabetes” também enfatiza que a saúde dos olhos não depende apenas do que acontece dentro do consultório. O controle rigoroso da glicemia e da pressão arterial é o pilar fundamental para proteger os vasos da retina. Atitudes simples e mudanças no estilo de vida são apontadas pela entidade como armas poderosas contra a progressão da doença.

Especialistas recomendam uma dieta rica em fibras — como aveia, grãos integrais e legumes — e a redução drástica no consumo de açúcares, sal e alimentos ultraprocessados. Além disso, o combate ao tabagismo e ao consumo excessivo de álcool, somados à manutenção de um peso saudável e noites de sono reparadoras, criam um ambiente biológico muito mais resistente às complicações do diabetes.

Diante de um sistema de saúde que muitas vezes foca na remediação, a iniciativa do CBO joga luz sobre a prevenção e o autocuidado. A mensagem é clara: o diabetes pode ser uma condição crônica, mas a cegueira não precisa ser o seu destino final. Acompanhar a saúde ocular com regularidade é um ato de preservação da autonomia e da qualidade de vida.

No Impacto1 Jornal, acreditamos que a informação de qualidade é o melhor remédio para a prevenção. Continue acompanhando nosso portal para se manter atualizado sobre as principais diretrizes de saúde, bem-estar e os fatos que impactam diretamente o seu cotidiano e o da sua família. Nosso compromisso é trazer o contexto necessário para que você tome as melhores decisões para sua vida.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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