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Política nacional vai estimular pesquisa de minerais críticos no país

© Gil Leonardi/Agência Minas

O cenário global de transição energética e a corrida tecnológica por insumos de alta performance ganharam um novo capítulo no Brasil nesta quarta-feira (16). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, um marco regulatório que visa tirar o país da posição de mero exportador de commodities brutas para se tornar um player central na industrialização de componentes essenciais para o futuro verde e digital.

A nova legislação não se limita a diretrizes teóricas; ela projeta um aporte de até R$ 7 bilhões em investimentos por meio de incentivos voltados a projetos de processamento e transformação mineral. O objetivo central é claro: estimular o ciclo completo, desde a pesquisa geológica inicial até a extração e, fundamentalmente, o beneficiamento desses minerais em solo brasileiro, agregando valor à cadeia produtiva nacional.

Fundo garantidor e previsibilidade para o setor

Um dos pilares da nova lei é a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam). Com um aporte inicial de R$ 2 bilhões da União, o fundo tem potencial para alcançar a marca de R$ 5 bilhões. Sua função primordial é oferecer segurança jurídica e financeira para empreendimentos considerados prioritários, reduzindo os riscos intrínsecos de uma atividade que demanda capital intensivo e paciência cronológica.

Pablo Cesário, representante do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), ressalta que a previsibilidade é a moeda mais valiosa para o setor. Como projetos de mineração costumam ter ciclos que ultrapassam os 40 anos, a estabilidade fiscal e regulatória trazida pela lei é vista como um passo indispensável para atrair investidores de longo prazo que, anteriormente, poderiam preterir o Brasil em favor de jurisdições com regras mais claras.

O salto no mapeamento geológico

Para explorar é preciso, antes de tudo, conhecer. Atualmente, apenas cerca de 25% do território brasileiro está mapeado geologicamente em uma escala que permita investimentos precisos. Para reverter esse déficit de informação, o Ministério de Minas e Energia anunciou uma mudança drástica no orçamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB).

O ministro Alexandre Silveira confirmou que a verba destinada à pesquisa de solo saltará de modestos R$ 8 milhões para expressivos R$ 300 milhões. Esse investimento busca dar ao Estado brasileiro o domínio sobre o que existe em seu subsolo, garantindo soberania nas decisões sobre como e quando explorar as riquezas minerais. Segundo Silveira, o conhecimento profundo do solo é a única forma de preservar a capacidade de decisão estratégica do país frente às pressões do mercado internacional.

Soberania e a luta contra a exportação de 'preço de banana'

Durante a cerimônia de sanção, o tom do discurso presidencial foi enfático na defesa da soberania nacional. Lula criticou gestões anteriores e o que chamou de "traidores da pátria", referindo-se a tentativas de vender minerais estratégicos em estado bruto a preços irrisórios para mercados como o dos Estados Unidos, repetindo o modelo histórico de exportação de minério de ferro sem beneficiamento.

"Não permitiremos que a história se repita. A riqueza do Brasil tem um único dono, o povo brasileiro", afirmou o presidente. Para sustentar essa visão de autonomia, foi assinado também o decreto que cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos. Este órgão será o responsável por coordenar e planejar as políticas públicas que garantam que o mineral extraído no Pará ou em Minas Gerais se transforme em baterias, semicondutores ou turbinas eólicas dentro das fronteiras brasileiras.

A importância estratégica das Terras Raras

A relevância dessa política ganha contornos dramáticos quando analisamos os números das chamadas "terras raras" — um grupo de 17 elementos químicos vitais para a tecnologia de ponta, desde smartphones até sistemas de defesa avançados. O Brasil detém a segunda maior reserva mapeada do mundo, com 21 milhões de toneladas, ficando atrás apenas da China (44 milhões).

Apesar do enorme potencial, o país ainda não opera em escala industrial para o refino desses elementos, que são de difícil extração por estarem dispersos na natureza. A nova política nacional visa justamente financiar a tecnologia necessária para que o Brasil quebre o monopólio global de fornecimento desses insumos, fundamentais para a fabricação de carros elétricos e para a geração de energia limpa.

Educação e desafios locais

Além da infraestrutura e do capital, o governo identificou a necessidade de formação de capital humano. Lula convocou universidades e institutos federais a criarem cursos específicos voltados para a mineração tecnológica e o refino mineral. A ideia é que o país não dependa de técnicos estrangeiros para gerir suas cadeias produtivas mais sofisticadas.

Contudo, o caminho para a implementação plena não está isento de críticas. Enquanto grandes mineradoras celebram o marco, gestores municipais têm demonstrado preocupação com a distribuição de royalties e com os impactos socioambientais de novas explorações. O equilíbrio entre o desenvolvimento industrial acelerado e a proteção das comunidades locais será o grande teste do Conselho Nacional nos próximos meses.

O avanço dessa política coloca o Brasil em uma posição de destaque na geopolítica mineral, transformando recursos naturais em alavancas de desenvolvimento socioeconômico. Para continuar acompanhando os desdobramentos dessa e de outras notícias essenciais sobre a economia e o desenvolvimento do país, siga o Impacto1 Jornal. Nosso compromisso é levar até você a informação com profundidade, análise técnica e a credibilidade que o leitor brasileiro exige.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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