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Petrobras batiza primeiro navio a navegar com tripulação 100% feminina

© Fernando Frazão/Agência Brasil

O cenário do Píer Mauá, na zona portuária do Rio de Janeiro, serviu como pano de fundo para um evento que simboliza mais do que apenas a entrega de uma nova embarcação. A Petrobras oficializou o batismo do Starnav Elektra, um marco para a indústria offshore brasileira não apenas pela sua tecnologia, mas por ser a primeira embarcação do gênero a realizar uma travessia operada exclusivamente por mulheres. O navio é a primeira entrega do Programa Mar Aberto, uma iniciativa estratégica da estatal voltada para a renovação e ampliação da sua frota de apoio.

A embarcação, construída no Estaleiro Detroit, em Itajaí (SC), exigiu um investimento de aproximadamente R$ 450 milhões. Após a cerimônia de batismo, o navio segue agora para as bacias petrolíferas brasileiras, onde atuará no suporte logístico às plataformas. O trajeto inicial, entre Santa Catarina e o Rio de Janeiro, foi conduzido por uma equipe de 16 profissionais mulheres, sob o comando da comandante Isabela Teixeira Ponce de Leon, quebrando paradigmas em um setor historicamente dominado pela presença masculina.

Representatividade e quebra de barreiras no setor offshore

A escolha de uma tripulação integralmente feminina para a viagem inaugural do Starnav Elektra reflete uma mudança de postura dentro da Petrobras e de suas parceiras. No setor de óleo e gás, as funções a bordo costumam apresentar uma disparidade de gênero acentuada, muitas vezes justificada por questões culturais ou estruturais que vêm sendo gradualmente superadas. A liderança de Isabela Teixeira Ponce de Leon à frente de uma equipe qualificada de 16 mulheres demonstra que a competência técnica e a capacidade de operação em ambientes complexos independem de gênero.

Este movimento ocorre em um momento de debate global sobre diversidade e inclusão nas grandes corporações. Para o setor naval brasileiro, ver uma embarcação de grande porte ser operada exclusivamente por mulheres é um sinalizador importante para futuras profissionais que buscam carreira na engenharia naval, na navegação e em serviços especializados de alto-mar. A repercussão do feito já reverbera em fóruns de discussão sobre o mercado de trabalho, onde se destaca a necessidade de mais espaços seguros e oportunidades equitativas para mulheres na indústria de base.

O papel do Programa Mar Aberto na economia nacional

O Starnav Elektra é o primeiro navio afretado no âmbito do Programa Mar Aberto, uma peça-chave na estratégia da Petrobras para reduzir a dependência de embarcações estrangeiras e fomentar a indústria naval doméstica. Durante a cerimônia, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reforçou que o foco na indústria naval e offshore é parte de um ciclo que busca otimizar o retorno de capital da estatal e gerar empregos em solo brasileiro.

Segundo a executiva, a utilização de frota própria e de embarcações construídas no país permite uma economia de recursos significativa, além de valorizar o portfólio da companhia. 'São projetos que nos trazem mais eficiência e lucro. As empresas brasileiras estão apresentando um desempenho de excelência e conquistando licitações com competividade', afirmou Magda. A meta é audaciosa: a companhia prevê a contratação de 48 barcos até o final de 2024, com a expectativa de que 96 embarcações, incluindo barcaças e empurradores, sejam entregues até o próximo ano.

Revitalização dos estaleiros brasileiros

A construção do navio no Estaleiro Detroit, em Itajaí, sublinha a retomada da relevância dos polos navais regionais. Santa Catarina tem se consolidado como um hub de construção naval de alta tecnologia, atraindo investimentos que movimentam a cadeia produtiva local, desde a siderurgia até serviços de tecnologia da informação. A expansão da frota da Petrobras funciona como um motor para que esses estaleiros mantenham sua capacidade operacional ativa, garantindo a manutenção de postos de trabalho qualificados e o desenvolvimento de expertise técnica nacional.

Inovação tecnológica e compromisso ambiental

O Starnav Elektra é classificado como um PSV (<i>Platform Supply Vessel</i>), embarcação projetada para o suprimento de plataformas com carga variada, como fluidos de perfuração, equipamentos e mantimentos. No entanto, o diferencial técnico desta nova geração de navios reside na sua eficiência energética. Alinhada às metas globais de descarbonização, a Petrobras incorporou sistemas modernos de geração de energia na embarcação, incluindo bancos de baterias que permitem operações híbridas.

Além do sistema elétrico avançado, o navio conta com monitoramento de consumo por telemetria, permitindo ajustes em tempo real para reduzir o desperdício de combustível. O projeto também prevê a possibilidade futura de operação parcial com combustíveis renováveis. Outro detalhe técnico importante é a aplicação de novas tecnologias de pintura e sistemas anti-incrustação no casco, que diminuem o atrito com a água, resultando em menor consumo de diesel e, consequentemente, menor emissão de gases de efeito estufa na atmosfera.

A entrega do Starnav Elektra marca, portanto, uma convergência entre três pilares fundamentais para a Petrobras contemporânea: a eficiência financeira através do fortalecimento da indústria local, a responsabilidade socioambiental por meio de tecnologias verdes e a evolução cultural representada pela diversidade na tripulação. O avanço desses projetos será determinante para o posicionamento da estatal frente aos desafios da transição energética e da competitividade no mercado global de energia.

Para acompanhar os próximos desdobramentos da indústria naval e as principais notícias sobre o setor de energia e economia, continue acessando o Impacto1 Jornal. Nosso compromisso é levar até você a informação com profundidade, análise e a clareza necessária para compreender os fatos que movem o Brasil e o mundo.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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