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Mulheres têm mais medo de errar no trabalho quando homens são maioria, aponta estudo

G1

O erro é uma parte intrínseca do processo de inovação e crescimento profissional, mas a percepção sobre ele não é distribuída de forma igualitária nos escritórios. Um estudo recente conduzido pela London School of Economics (LSE), do Reino Unido, trouxe à tona uma realidade desconfortável para o mundo corporativo: mulheres que trabalham em ambientes onde os homens são a maioria absoluta sentem um receio significativamente maior de admitir falhas do que aquelas inseridas em equipes mais equilibradas ou majoritariamente femininas.

Publicada na revista científica <i>Frontiers in Organizational Psychology</i>, a pesquisa analisou como o gênero e a composição demográfica das equipes influenciam a segurança psicológica no trabalho. Os dados revelam que, quando a proporção de homens atinge ou ultrapassa 75% de um grupo, a confiança das mulheres em reportar equívocos e utilizá-los como base para o aprendizado despenca. O fenômeno evidencia que a cultura organizacional ainda impõe pesos diferentes para comportamentos idênticos, dependendo de quem os executa.

O impacto da disparidade numérica no cotidiano

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores entrevistaram mais de 1,4 mil profissionais do setor financeiro de Londres. Embora o estudo tenha sido realizado em um dos principais centros econômicos do mundo, seus resultados ecoam em diversas capitais brasileiras, onde o setor bancário e de investimentos também é historicamente dominado por figuras masculinas. Grace Lordan, autora principal do estudo, destaca que o desconforto relatado pelas mulheres não é apenas uma sensação subjetiva, mas um reflexo de como elas antecipam as consequências de seus atos.

O padrão identificado é consistente: enquanto os homens mantêm uma visão positiva sobre o erro em praticamente qualquer configuração de equipe, as mulheres só se sentem plenamente seguras para falhar quando há uma massa crítica feminina ao seu redor. Em ambientes com baixa presença masculina, a percepção das mulheres sobre a utilidade pedagógica de um erro chega a ser, em alguns casos, superior à dos homens. Contudo, basta a balança pender para a maioria masculina para que o receio de punições e julgamentos assuma o protagonismo.

O medo da reputação e o estigma da competência

Um dos pontos mais intrigantes da pesquisa é que tanto homens quanto mulheres acreditam que as sanções formais — como advertências ou suspensões — seriam aplicadas de forma justa e igualitária pela empresa. O problema, portanto, não reside necessariamente nas normas escritas no manual do funcionário, mas nas chamadas "consequências informais". As mulheres temem que o erro seja usado para validar estereótipos de gênero, questionando sua competência técnica de forma definitiva.

Essa vulnerabilidade reputacional cria um estado de vigilância constante. No imaginário de muitas profissionais, um erro cometido por um homem é visto como um evento isolado ou falta de sorte, enquanto o mesmo erro cometido por uma mulher pode ser interpretado como prova de que ela não deveria estar naquele cargo. Esse peso psicológico desvia o foco do trabalho em si para a gestão da autoimagem, gerando um estresse adicional que mina a produtividade e a saúde mental a longo prazo.

A barreira invisível para a inovação

A falta de segurança psicológica não é apenas um problema de bem-estar individual, mas uma ameaça direta à competitividade das empresas. Quando uma parcela significativa da força de trabalho omite erros por medo de retaliação, a organização perde a oportunidade de corrigir processos falhos e de aprender lições valiosas. A inovação depende da experimentação, e não existe experimento sem o risco do fracasso. Se as mulheres não se sentem livres para errar, elas também são, indiretamente, desencorajadas a arriscar novas ideias.

Caminhos para uma cultura de segurança

Mudar essa dinâmica exige mais do que apenas discursos sobre diversidade; requer ações práticas na liderança. O estudo da LSE sugere que gestores — especialmente homens que lideram equipes predominantemente masculinas — adotem uma postura de transparência radical sobre suas próprias falhas. Quando o líder admite que errou e demonstra como corrigiu o percurso, ele sinaliza que o ambiente é seguro para todos.

Além disso, a implementação de redes de mentoria e grupos de afinidade surge como uma ferramenta essencial. Esses espaços permitem que mulheres compartilhem experiências e recebam suporte técnico e emocional, diminuindo a sensação de isolamento. No Brasil, o debate sobre a equidade de gênero tem avançado em pautas como a licença-maternidade e a igualdade salarial, mas a pesquisa reforça que a cultura do dia a dia, nos detalhes das interações interpessoais, é onde as mudanças mais profundas precisam ocorrer.

Compreender que o gênero influencia a forma como as pessoas vivenciam o ambiente de trabalho é o primeiro passo para construir organizações mais resilientes e humanas. Acompanhe o Impacto1 Jornal para continuar bem informado sobre os temas que moldam o mercado de trabalho, a sociedade e o seu futuro, sempre com análises aprofundadas e o compromisso de levar até você a informação que realmente importa.

Fonte: https://g1.globo.com

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