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Ministro prevê renegociação de R$ 90 bi em 3ª fase do Desenrola

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O cenário econômico brasileiro caminha para um novo movimento de fôlego no combate à inadimplência. O Governo Federal, por meio do Ministério da Fazenda, detalhou nesta semana os próximos passos do Desenrola 3.0, a nova etapa do programa de renegociação de dívidas que se tornou uma das principais bandeiras sociais da atual gestão. Segundo o secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, a expectativa é que as instituições financeiras apresentem até R$ 90 bilhões em débitos antigos para serem processados nesta fase, marcando uma ofensiva direta contra o superendividamento que trava o consumo das famílias.

A estratégia agora entra em uma fase operacional crítica. Nesta quinta-feira (21), ocorre a publicação do edital de chamamento para bancos, fundos de investimento e outras instituições credoras. O objetivo imediato não é o contato direto com o cidadão, mas sim a organização do mercado: o governo quer mapear o tamanho exato do problema para, em seguida, intervir com a compra dessas carteiras de crédito.

A engenharia financeira por trás dos descontos

Um dos pontos que mais chamam a atenção no Desenrola 3.0 é a agressividade dos descontos previstos. Embora o montante total de dívidas possa chegar a R$ 90 bilhões, o custo estimado para a União seria de, no máximo, R$ 9 bilhões. Isso ocorre porque o programa exige um deságio mínimo de 90% para que a dívida seja elegível à compra pelo governo. Na prática, a União se propõe a adquirir créditos que o mercado já considera de difícil recuperação, pagando apenas uma fração do valor original.

Dario Durigan destacou que o governo pretende utilizar o leilão, previsto para novembro ou início de dezembro, para estimular a concorrência entre os bancos. 'A depender do que recebermos nessas carteiras, podemos exigir descontos ainda maiores, como 93% ou 95%', afirmou o ministro em exercício. Essa mecânica visa garantir que o dinheiro público seja utilizado de forma eficiente, maximizando o número de brasileiros beneficiados com o 'nome limpo'.

Quem são os beneficiários e quais dívidas entram no jogo

O foco desta terceira fase é claro: a população de baixa renda e, de forma inédita, os Microempreendedores Individuais (MEIs). O governo entende que o endividamento desses pequenos negócios é um entrave direto ao crescimento econômico local, impedindo que o empreendedor consiga novos créditos para investir em suas atividades.

Critérios de elegibilidade

Para que uma dívida seja incluída no Desenrola 3.0, ela deve seguir critérios específicos estabelecidos pela Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os débitos devem ter valor original de até R$ 10 mil e estar em atraso por um período considerável — entre 720 e 1.645 dias (aproximadamente dois a quatro anos e meio). Estão no radar as dívidas de cartão de crédito, incluindo o rotativo e o parcelado, além de contratos de crédito pessoal sem consignação em folha.

O cronograma para a renegociação

O processo foi estruturado em etapas sequenciais para garantir segurança jurídica e transparência. Após a publicação do edital, as instituições financeiras terão cinco dias úteis para habilitar suas carteiras e informar o volume de débitos. Em seguida, o Ministério da Fazenda realizará a análise desses dados, separando-os por faixas de renda e categorias de credores.

O momento mais aguardado pelo consumidor final deve ocorrer após o leilão de dezembro. Uma vez que o governo adquire a dívida com o desconto massivo, ele repassa essa vantagem ao devedor. O cidadão poderá, então, quitar o valor restante à vista ou parcelar o pagamento com taxas de juros controladas. Esse movimento é visto por economistas como um estímulo necessário para devolver milhões de brasileiros ao mercado de consumo formal, permitindo que voltem a ter acesso a crédito para necessidades básicas.

A relevância social do combate à inadimplência

Mais do que um ajuste de contas entre bancos e clientes, o Desenrola 3.0 possui uma profunda dimensão social. No Brasil, o 'nome sujo' funciona frequentemente como uma barreira para a obtenção de emprego, aluguel de imóveis e até para o bem-estar psicológico das famílias. Ao focar em dívidas antigas e de baixo valor, o programa atinge a base da pirâmide social, onde o endividamento muitas vezes decorre de imprevistos básicos ou da alta abusiva de juros acumulados ao longo dos anos.

A inclusão de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) no edital também é um avanço técnico importante, pois essas entidades detêm grande parte das dívidas já 'baixadas' pelos bancos. Ao trazer esses atores para a mesa de negociação, o governo aumenta a capilaridade da medida e garante que o impacto do programa seja sentido em diversos setores da economia.

Acompanhe o Impacto1 Jornal para se manter informado sobre o calendário de pagamentos e os próximos passos para a renegociação de suas dívidas. Nosso compromisso é trazer a informação que transforma o seu dia a dia com clareza e credibilidade, cobrindo os fatos que realmente importam para o cidadão brasileiro.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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