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EWZ desaba 19% no mercado internacional após reeleição de Lula; entenda os reflexos e o cenário econômico

G1

O cenário econômico global reagiu de forma imediata e intensa à confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas. Na noite deste domingo, o EWZ (iShares MSCI Brazil ETF), principal fundo de índice que monitora ações brasileiras negociadas na Bolsa de Nova York (NYSE), registrou uma queda acentuada de 19% no <i>after-hours</i>. O movimento, captado por volta das 21h37, funciona como um termômetro precoce do sentimento do investidor estrangeiro antes da abertura dos mercados locais na manhã de segunda-feira.

A oscilação drástica contrasta com o encerramento da última sexta-feira, quando o fundo havia fechado em alta de 1,77%. Como as negociações no Brasil permanecem suspensas durante o final de semana, o EWZ torna-se a principal vitrine da percepção de risco institucional e fiscal do país no exterior. A magnitude do recuo reflete uma busca por proteção e o ajuste de posições diante de um resultado eleitoral que, embora previsto por parte das pesquisas, traz incertezas sobre a condução da política econômica no novo mandato.

O fechamento do mercado nacional antes do pleito

Antes do domingo de votação, o mercado doméstico operava sob uma atmosfera de cautela, mas com viés positivo. Na sexta-feira, o Ibovespa, principal índice da B3, encerrou a sessão com alta de 0,47%, atingindo o patamar dos 205.083 pontos. Esse desempenho foi impulsionado por uma combinação de fatores técnicos e dados macroeconômicos que trouxeram alívio momentâneo aos investidores.

O câmbio também seguiu uma trajetória de queda na última sessão antes do segundo turno. O dólar comercial recuou 0,90%, sendo cotado a R$ 4,9930. A retração da moeda americana abaixo da barreira psicológica dos cinco reais foi vista por analistas como um reflexo da entrada de capital estrangeiro e de uma leitura otimista sobre os dados de inflação que antecederam a eleição.

Inflação e commodities: os pilares da última semana

Para compreender a reação atual, é preciso olhar para os fundamentos que sustentaram a Bolsa brasileira nos últimos dias. O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, subiu 0,32% em outubro. O número ficou abaixo das projeções do mercado e mostrou uma desaceleração importante em relação ao mês anterior, quando o índice avançou 0,70%. Esse arrefecimento da inflação é um dado crucial, pois abre espaço para discussões sobre a manutenção ou redução da taxa básica de juros, a Selic, no médio prazo.

No front internacional, o mercado de petróleo exerceu forte influência. Em meio a tensões geopolíticas crescentes e uma queda nos estoques dos Estados Unidos, os preços das <i>commodities</i> subiram. O barril do tipo Brent avançou 3,45%, chegando a US$ 117,08, enquanto o WTI subiu 4,02%, para US$ 103,45. Por ser um país exportador e ter na Petrobras uma de suas maiores empresas de capital aberto, o Brasil tende a se beneficiar desse ciclo de alta, o que ajudou a segurar o Ibovespa no terreno positivo antes do desfecho eleitoral.

Uma eleição marcada pela polarização e incerteza

A reeleição de Lula ocorre após uma disputa histórica e uma virada inédita contra Flávio Bolsonaro (PL), em um cenário que as pesquisas de opinião, como o Datafolha, já apontavam como um empate técnico na reta final. Esse equilíbrio de forças políticas sugere um governo que precisará negociar intensamente com um Congresso fragmentado, ponto que gera ansiedade nos agentes financeiros quanto à responsabilidade fiscal e à manutenção de reformas estruturantes.

Apesar da queda drástica do EWZ neste domingo, o acumulado de 2026 para os ativos brasileiros ainda é robusto. O Ibovespa registra uma valorização de 27,28% no ano, com um salto de mais de 10% apenas no mês de outubro. O dólar, por sua vez, acumula uma queda de 9,03% no ano. Esses números mostram que, embora o susto pós-eleitoral seja evidente, o mercado brasileiro vinha de uma trajetória de recuperação sólida que pode servir de colchão para a volatilidade dos próximos dias.

Perspectivas para a abertura de segunda-feira

A queda de 19% no exterior sinaliza uma abertura de pregão tensa na B3. Especialistas indicam que o mercado deve focar agora nos nomes que serão anunciados para a equipe econômica e nas primeiras sinalizações do presidente reeleito sobre o teto de gastos e políticas de subsídios. A reação de empresas estatais, sensíveis a mudanças de gestão, deve ser o ponto focal das atenções.

A longo prazo, a capacidade de o governo eleito harmonizar o crescimento econômico com o controle da dívida pública será o fator determinante para saber se a queda do EWZ foi apenas um choque especulativo momentâneo ou o início de uma reavaliação estrutural do risco Brasil.

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Fonte: https://g1.globo.com

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