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Ao menos 12 empresas de ônibus são suspeitas de ligação com o PCC em São Paulo; veja quais são elas

G1

O sistema de transporte público de São Paulo, reconhecido como o maior da América Latina, está novamente no centro de uma tempestade jurídica e policial. Na manhã desta quinta-feira (17), a Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), revelou uma teia de influências que conecta o crime organizado a empresas que transportam milhões de passageiros diariamente. Ao menos 12 empresas de ônibus são investigadas por suspeita de ligação direta com o Primeiro Comando da Capital (PCC), em um esquema que envolve lavagem de dinheiro, corrupção e o uso estratégico da infraestrutura urbana para fins ilícitos.

A operação não mira apenas os CNPJs, mas também figuras centrais da política paulistana e da gestão pública. Entre os alvos principais estão o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União Brasil), e Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. A investigação aponta que a infiltração da facção no setor não é um fato isolado, mas uma estratégia de longo prazo para dominar o chamado "subsistema local", que atende principalmente as periferias da capital.

O peso das empresas investigadas no cotidiano de São Paulo

Para entender a magnitude da denúncia, é preciso olhar para os números. As empresas sob suspeita controlam quase metade de toda a frota de ônibus da capital paulista. No sistema de São Paulo, que opera com cerca de 13.690 veículos, as linhas geridas por essas empresas respondem por aproximadamente 6.029 ônibus. Trata-se do subsistema local, que realiza o transporte nos bairros mais afastados e garante a conexão dos moradores com os grandes terminais e o centro da cidade.

Muitas dessas companhias nasceram de antigas cooperativas de transporte que, ao longo dos anos, se profissionalizaram e se transformaram em empresas de grande porte. Segundo o Ministério Público, essa transição teria sido facilitada por aportes financeiros de origem duvidosa. O uso de "laranjas" e empresas de fachada teria sido a ferramenta principal para ocultar que o capital investido para expandir as frotas e vencer licitações era, na verdade, fruto de atividades criminosas da facção.

Veja a lista das empresas citadas na operação

A Operação Vectura Corrupta listou doze empresas que estão sob o radar das autoridades. Sete delas operam ativamente no sistema municipal da capital, enquanto as demais possuem vínculos que estão sendo esmiuçados pela Polícia Civil:

1. Viação Transcap Transportes; 2. Alfa Rodobus Transportes; 3. Transwolff Transportes; 4. A2 Transportes; 5. Imperial Transportes; 6. Move Buss Transportes; 7. Pêssego Transportes; 8. Allianz Transportes; 9. Transunião Transportes; 10. Qualibus Transportes; 11. Norte Bus Transportes; 12. Spencer Transportes.

Vale lembrar que nomes como a Transwolff e a UPBus já haviam sido alvos da Operação Fim da Linha, em abril de 2024. Naquela ocasião, as suspeitas de lavagem de dinheiro levaram a Prefeitura de São Paulo a decretar intervenção nessas operadoras, assumindo o controle direto da gestão para evitar o colapso do serviço e interromper o fluxo financeiro para o crime.

A influência política e o papel de Milton Leite

Um dos pontos mais sensíveis da investigação é a suposta participação de Milton Leite no esquema. O ex-vereador, que comandou a Câmara Municipal por quatro mandatos e é uma das figuras mais poderosas do cenário político estadual, é apontado como um articulador estratégico. Interceptações telefônicas e depoimentos de policiais militares sugerem que decisões cruciais para o funcionamento das empresas dependiam do aval de Leite.

No pedido judicial que fundamentou a operação, cita-se que Leite seria o "dono de fato" de algumas dessas operações, exercendo influência direta na SPTrans para favorecer contratos. Durante as buscas em sua residência, o político não foi localizado. Em nota, Leite negou que esteja foragido, afirmando estar em viagem e que se apresentará às autoridades em até 24 horas para provar sua inocência. Além dele, a operação também resultou na prisão de Levi dos Santos Oliveira e Danilo Marco Morgado Silva, figuras ligadas à gestão e à política partidária.

Repercussão e desdobramentos

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, defendeu a atuação da gestão municipal, destacando que as intervenções feitas anteriormente já visavam blindar o sistema contra o crime organizado. No entanto, a nova operação levanta questionamentos sobre a profundidade da infiltração e se a fiscalização da SPTrans possui as ferramentas necessárias para detectar a origem real dos capitais que movem as concessionárias.

A segurança pública e a mobilidade urbana agora caminham juntas em uma investigação que promete ser longa. O desafio das autoridades é punir os responsáveis sem paralisar o transporte de milhares de trabalhadores que dependem dessas linhas diariamente. A Operação Vectura Corrupta é vista como um passo decisivo para desarticular o braço logístico e financeiro do PCC em uma das áreas mais vitais do estado.

No Impacto1 Jornal, seguimos acompanhando os desdobramentos dessa investigação e os impactos que ela poderá causar na política e no dia a dia da cidade. Nossa missão é trazer a informação com profundidade e responsabilidade. Continue conosco para entender os próximos passos desta operação e outras notícias que moldam a nossa sociedade.

Fonte: https://g1.globo.com

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