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Caverna Desmoronada reabre após 15 anos no interior de SP; percurso pode durar até 8 horas

G1

Após um hiato de uma década e meia, entusiastas do ecoturismo e da espeleologia têm um novo — e antigo — motivo para visitar o sul do estado de São Paulo. A Caverna Desmoronada, situada no coração do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar), em Iporanga, foi oficialmente reaberta para visitação pública. Considerada uma das cavidades mais técnicas e imponentes da região, sua reabertura encerra um ciclo de 15 anos de interdição, período em que o acesso foi restrito para a realização de complexos estudos de conservação e segurança.

A retomada das atividades não é apenas uma vitória para o turismo de aventura, mas um marco para a preservação ambiental no Vale do Ribeira. O trajeto, classificado com nível de dificuldade alto, exige preparo físico e disposição: o roteiro completo pode consumir até oito horas de expedição, combinando trilhas em mata fechada e uma incursão profunda pelo subterrâneo paulista. Para os especialistas, a Desmoronada representa o ápice da experiência no Petar, oferecendo um cenário que mescla a grandiosidade geológica com a fragilidade de um ecossistema milenar.

O rigor científico por trás da reabertura

A decisão de manter a caverna fechada desde o final dos anos 2000 não foi arbitrária. A medida foi necessária para a elaboração do Plano de Manejo Espeleológico, um documento técnico robusto que define a capacidade de carga do local — ou seja, quantas pessoas podem entrar sem causar danos irreversíveis ao ambiente. Este trabalho foi coordenado pela Fundação Florestal, órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil).

Durante o período de interdição, um contingente de aproximadamente 100 profissionais, incluindo geólogos, biólogos e engenheiros, debruçou-se sobre a área. Foram analisados fatores críticos como a estabilidade dos blocos rochosos, a circulação das correntes de ar, a umidade relativa e a presença de fauna cavernícola endêmica. O estudo também mapeou possíveis riscos biológicos e buscou identificar vestígios arqueológicos que pudessem contar a história da ocupação humana ou da megafauna na região.

Segundo Tatiane Ashino, diretora de Planejamento e Ordenamento Territorial da Fundação Florestal, o rigor nos estudos foi a única forma de garantir que a exploração turística não comprometesse o patrimônio. A análise resultou não apenas na liberação da Desmoronada, mas faz parte de um esforço maior que entregou planos de manejo para outras 29 cavernas no estado, consolidando um modelo de turismo sustentável que equilibra o lazer com a proteção rigorosa dos ativos naturais.

Geologia e o espetáculo visual do 'desmoronamento'

O nome da caverna não é meramente ilustrativo; ele descreve fielmente a gênese de sua formação. Diferente de outras cavidades que apresentam galerias lineares e suaves, a Desmoronada é caracterizada por enormes blocos de calcário que se desprenderam do teto ao longo de eras geológicas. Esse processo natural de abatimento criou um relevo interno acidentado, com salões vastos e passagens que desafiam a percepção espacial do visitante.

No interior, a ação da água continua sendo a grande escultora. Um rio subterrâneo corta parte da cavidade, enquanto as galerias superiores guardam verdadeiros tesouros minerais. Os espeleotemas — formações como estalactites, estalagmites e cortinas — estão presentes em abundância, preservados pela falta de contato humano nas últimas décadas. Um dos pontos mais aguardados do roteiro é o Pórtico do Vale das Ilusões, uma abertura monumental que conecta diferentes níveis da caverna e oferece uma visão privilegiada da magnitude do sistema.

Desafio físico e regras para o visitante

Para quem deseja explorar a Caverna Desmoronada, o planejamento deve ser rigoroso. A visitação não é permitida de forma autônoma; é obrigatório o acompanhamento de um monitor ambiental credenciado, profissional treinado para guiar o grupo com segurança e transmitir informações sobre a geologia e a ecologia local. Além disso, o acesso é controlado por um sistema de reservas antecipadas através do portal oficial da Fundação Florestal.

Existem duas modalidades principais de percurso. O circuito tradicional foca nos salões superiores e no Vale das Ilusões, retornando pela mesma entrada. Já o circuito de travessia é o preferido dos mais experientes: começa pela ressurgência do rio e envolve uma 'escalaminhada' interna, onde o visitante precisa superar desníveis e blocos rochosos para sair por uma abertura diferente da que entrou. Ao todo, entre a trilha de acesso na Mata Atlântica e o trecho subterrâneo, percorre-se cerca de 11 quilômetros.

Impacto na economia local

Iporanga é conhecida como a 'Capital das Cavernas', e a economia da cidade orbita em torno do Petar. A reabertura da Desmoronada gera uma expectativa positiva no comércio local, em especial para as associações de guias e para o setor de hotelaria. O retorno de um atrativo desse porte atrai um perfil de turista que tende a permanecer mais tempo na região, consumindo serviços especializados e fortalecendo a rede de turismo comunitário que sustenta o Vale do Ribeira.

A preservação desse patrimônio, aliada a uma exploração consciente, mostra que o tempo de espera de 15 anos foi um investimento no futuro da região. Agora, a Caverna Desmoronada volta a ser o destino de quem busca silêncio, escuridão absoluta e a sensação de estar em um mundo que parou no tempo.

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Fonte: https://g1.globo.com

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