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Confeiteiro paulistano conquista o título mundial de tiramisù na Itália com receita de raízes afetivas

G1

A gastronomia brasileira acaba de alcançar um patamar histórico em solo europeu, especificamente no berço de uma das sobremesas mais icônicas do planeta. Marcos Mussi, um confeiteiro amador de 51 anos, morador do bairro da Saúde, na Zona Sul de São Paulo, sagrou-se campeão mundial do Tiramisù World Cup na categoria "receita original". O feito ocorreu em Treviso, cidade italiana amplamente reconhecida como o local de nascimento do doce que combina café, queijo mascarpone e biscoitos savoiardi.

A conquista de Mussi não é apenas um troféu individual, mas um marco que reforça a forte ligação cultural e gastronômica entre o Brasil e a Itália. Disputando contra cerca de 320 participantes de 33 países, o brasileiro provou que o domínio das técnicas clássicas italianas transcende fronteiras geográficas, fincando a bandeira verde e amarela no topo do pódio em uma competição avaliada por 130 jurados, entre especialistas, chefs renomados e críticos da área.

O caminho até o topo em Treviso

A trajetória de Marcos Mussi até o título mundial foi marcada por persistência e um rigoroso processo de seleção. Antes de desembarcar na Itália, o confeiteiro garantiu sua vaga durante o <i>The São Paulo Coffee Festival</i>, realizado na Bienal do Ibirapuera em junho de 2024. Esta não foi sua primeira tentativa; em 2025, ele já havia vencido a etapa regional de São Paulo, o que demonstra uma evolução constante em sua técnica e paladar.

Na semifinal em Treviso, Mussi enfrentou 30 finalistas de alto nível, conseguindo uma vaga na grande decisão ao lado de outra competidora brasileira e uma francesa. A prova final exigia a execução impecável da receita tradicional, que permite apenas seis ingredientes: biscoitos palitos (savoiardi), queijo mascarpone, ovos, café, açúcar e cacau. A precisão no equilíbrio entre a doçura e o amargor do café, aliada à textura perfeita do creme, foi o que garantiu ao paulistano o título máximo.

Fusão cultural: o toque brasileiro na categoria criativa

Embora tenha vencido na categoria original, Mussi também se destacou na modalidade "Receita Criativa". Nesta etapa, os competidores têm a liberdade de adicionar ingredientes extras à base tradicional. O brasileiro apostou em uma combinação que celebrava suas raízes: introduziu pé-de-moleque e doce de leite à estrutura do tiramisù. A ousadia o levou até a semifinal, chamando a atenção dos jurados internacionais pela harmonia entre a técnica europeia e o sabor rústico brasileiro.

Essa versatilidade reflete o perfil do campeão, que apesar de se definir como amador, investe pesado em formação. Autodidata na essência, ele buscou aprimoramento em cursos de análise sensorial, panificação e confeitaria francesa. Sua relação com a cozinha começou na adolescência, influenciada por sua avó e mãe, mantendo o aspecto afetivo como o principal tempero de suas criações.

Quem é Marcos Mussi: além das batedeiras

A vida de Marcos Mussi é um mosaico de habilidades que parecem convergir para a precisão exigida na confeitaria. Fora da cozinha, ele atua como meliponicultor — dedicando-se à criação de abelhas nativas sem ferrão — e como ceramista. Esses hobbies exigem paciência, atenção aos detalhes e uma conexão profunda com as matérias-primas, características que ele transporta para o preparo de seus doces.

Colecionador de livros, com uma biblioteca pessoal de mais de 100 títulos sobre gastronomia e viagens, Mussi já havia tido uma breve experiência com o público nacional ao participar da 10ª temporada do programa <i>Que Seja Doce</i>, no canal GNT. Essas experiências acumuladas formaram a base para que ele enfrentasse a pressão de cozinhar sob os olhares de jurados internacionais e câmeras em uma prova de apenas 40 minutos.

Planos para o futuro e marca própria

A vitória no Tiramisù World Cup funciona como um catalisador para os planos profissionais do confeiteiro. Embora ainda não possua um ponto comercial físico, Mussi revelou que já trabalha na estruturação de sua própria marca. O projeto, que estava previsto para sair do papel anteriormente, foi adiado para o primeiro trimestre de 2027 justamente para que ele pudesse focar integralmente na competição mundial.

O título mundial, embora honorífico no universo dos competidores amadores, confere a Mussi um selo de autoridade que poucos profissionais do setor possuem. Ele atribui o sucesso à tríade de qualidade dos ingredientes, foco absoluto e a paixão herdada de sua ascendência italiana. Agora, o campeão retorna ao Brasil com o desafio de transformar o reconhecimento internacional em um empreendimento que permita ao público paulistano degustar o "melhor tiramisù do mundo".

Acompanhe o Impacto1 Jornal para seguir os desdobramentos dessa conquista e descobrir outras histórias que conectam o talento brasileiro aos grandes palcos globais. Continuamos comprometidos em trazer informações aprofundadas e relevantes sobre cultura, gastronomia e os fatos que moldam a nossa sociedade com credibilidade e transparência.

Fonte: https://g1.globo.com

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