O mercado global de ativos digitais foi novamente sacudido por um incidente de segurança em larga escala. A corretora de criptomoedas Bitget confirmou na última sexta-feira (25) que foi alvo de uma invasão que resultou no desvio de aproximadamente US$ 350 milhões, o equivalente a cerca de R$ 1,86 bilhão na cotação atual. O episódio não apenas reforça a vulnerabilidade das plataformas de negociação, mas também garante à Bitget um lugar em um ranking sombrio: o dos maiores roubos da história do setor cripto.
Este novo ataque ocorre em um momento de crescente preocupação das autoridades regulatórias e de segurança cibernética. Apenas no ano passado, pesquisadores da TRM Labs apontaram que invasores conseguiram subtrair cerca de US$ 2,9 bilhões em ativos digitais por meio de quase 150 ataques distintos. O caso da Bitget evidencia que, apesar dos avanços em protocolos de segurança, as técnicas de exploração de falhas em sistemas de custódia e infraestrutura de rede continuam evoluindo em uma velocidade alarmante.
O papel do crime organizado e as rotas de fuga
A facilidade de transacionar valores vultosos entre fronteiras sem a necessidade de intermediários financeiros tradicionais é, ao mesmo tempo, o maior atrativo e o maior risco das criptomoedas. Em julho deste ano, autoridades internacionais emitiram alertas sobre como grupos do crime organizado têm refinado o uso desses ativos para a lavagem de dinheiro e o financiamento de atividades ilícitas. A rapidez das transferências permite que o capital roubado seja pulverizado em milhares de carteiras digitais em minutos, dificultando o rastreio por órgãos de controle.
Historicamente, o setor tem lidado com o estigma de ser um "velho oeste" financeiro. Embora a tecnologia blockchain seja transparente por natureza, ferramentas de ocultação, como os chamados <i>mixers</i> de criptomoedas, são frequentemente utilizadas para apagar as trilhas deixadas pelos invasores. O roubo sofrido pela Bitget entra para um histórico de grandes violações que moldaram a regulamentação atual e a percepção de risco do investidor comum.
Os maiores roubos da história das criptomoedas
Para compreender a magnitude do golpe sofrido pela Bitget, é necessário observar o contexto histórico de ataques que definiram o setor desde a criação do Bitcoin em 2008. Abaixo, detalhamos os episódios que causaram os maiores prejuízos financeiros e institucionais ao ecossistema de moedas digitais.
Bybit (2025): O recorde absoluto
Recentemente, em fevereiro de 2025, a corretora Bybit registrou o maior roubo de moedas digitais já documentado. Criminosos conseguiram desviar US$ 1,5 bilhão (aproximadamente R$ 7,95 bilhões) em ethers (ETH). Segundo investigações do FBI, a autoria do ataque foi atribuída a grupos de hackers financiados pela Coreia do Norte. Os recursos foram rapidamente convertidos e distribuídos por múltiplas blockchains, dificultando a recuperação. Embora o governo norte-coreano negue envolvimento, o episódio destacou como as criptomoedas se tornaram um alvo geopolítico de importância estratégica.
Poly Network (2021): O caso atípico
Em agosto de 2021, a plataforma Poly Network sofreu uma invasão que resultou na perda de US$ 610 milhões (R$ 3,23 bilhões). Diferente de outros casos, este desfecho foi inesperado: após diálogos públicos entre a empresa e os hackers (que se autodenominaram 'white hats' ou hackers éticos), quase todo o valor foi devolvido. O ataque expôs falhas críticas na interoperabilidade entre diferentes protocolos de tokens, um problema que ainda persiste no setor.
Ronin Network e Axie Infinity (2022)
O mundo dos jogos em blockchain também foi alvo. Em março de 2022, a rede Ronin, ligada ao popular jogo Axie Infinity, sofreu um desvio de US$ 540 milhões. Foram levados cerca de 173.600 ethers e milhões em stablecoins. A invasão atingiu diretamente milhares de usuários que utilizavam o jogo como fonte de renda, gerando uma crise de confiança que abalou o modelo 'play-to-earn' globalmente.
Coincheck (2018): O ataque à 'carteira quente'
Com sede em Tóquio, a Coincheck perdeu US$ 530 milhões em janeiro de 2018. O erro fatal da empresa foi armazenar grandes quantias em uma <i>hot wallet</i> (carteira conectada à internet), em vez de mantê-las em dispositivos <i>offline</i> mais seguros. A inteligência sul-coreana também apontou a Coreia do Norte como principal suspeita deste ataque, consolidando o país asiático como uma potência em crimes cibernéticos financeiros.
Mt. Gox (2011-2014): O fim de uma era
O ataque à Mt. Gox permanece como o mais notório por suas consequências estruturais. Entre 2011 e 2014, a então maior corretora do mundo, responsável por 80% das negociações globais de Bitcoin, foi drenada lentamente em quase US$ 500 milhões. A revelação do rombo levou a empresa à falência e deixou 24 mil clientes sem acesso aos seus fundos por mais de uma década. O caso é citado até hoje como o principal alerta sobre a importância da custódia segura e da transparência das exchanges.
Por que esses incidentes importam para o investidor?
A recorrência desses roubos multimilionários serve como um lembrete constante de que a segurança digital deve ser a prioridade número um para quem lida com criptoativos. Incidentes como o da Bitget geram um efeito cascata que afeta a liquidez do mercado e aumenta a pressão para que governos implementem leis mais rígidas. Para o investidor comum, o cenário reforça a recomendação de especialistas: nunca manter todo o capital em corretoras e priorizar o uso de carteiras frias (<i>cold wallets</i>) para armazenamento de longo prazo.
O avanço das investigações sobre o caso Bitget será determinante para entender se houve falha humana, técnica ou uma combinação de ambas. Enquanto os detalhes emergem, o mercado permanece em alerta, monitorando as movimentações das carteiras envolvidas no ataque para tentar mitigar novos danos ao ecossistema financeiro digital.
Acompanhar os desdobramentos de casos como este é fundamental para compreender os riscos e as oportunidades do mercado financeiro moderno. No Impacto1 Jornal, mantemos o compromisso de trazer análises aprofundadas e informações precisas sobre economia, tecnologia e segurança, ajudando você a navegar em um cenário de constantes transformações. Continue acompanhando nossa cobertura para se manter sempre bem informado.
Fonte: https://g1.globo.com