Pesquisadores avançam nas investigações sobre uma misteriosa formação em formato de barco próxima ao Monte Ararat. Equipe afirma ter identificado estruturas subterrâneas, mas confirmação definitiva da Arca bíblica ainda depende de análises científicas.
Uma das histórias mais conhecidas da Bíblia voltou a ganhar destaque internacional. Pesquisadores que estudam uma formação rochosa em formato de barco no leste da Turquia avançaram para uma nova etapa de investigação que pode ajudar a esclarecer um dos maiores mistérios arqueológicos relacionados à narrativa do Dilúvio: afinal, os restos da Arca de Noé poderiam estar escondidos naquele local?
A formação de Durupınar, localizada na região de Doğubayazıt, próxima ao Monte Ararat, vem sendo associada à Arca há décadas. Em setembro de 2026, uma equipe formada por pesquisadores turcos e integrantes do projeto Noah’s Ark Scans iniciou perfurações e coleta de amostras para investigar o que existe abaixo da superfície.
“100% confirmada”? O que realmente foi descoberto
Manchetes recentes afirmaram que a localização da Arca teria sido “100% confirmada”. A declaração, porém, precisa ser interpretada com cautela.
Segundo relatos sobre o projeto, Andrew Jones, ligado ao Noah’s Ark Scans, afirmou que os trabalhos teriam confirmado que a formação é um objeto produzido pelo homem, e não simplesmente uma característica geológica natural.
Isso, entretanto, não equivale a comprovar que a estrutura seja a Arca descrita no livro de Gênesis.
Até o momento, não foi apresentada uma embarcação de madeira preservada nem um estudo científico independente e revisado por pares demonstrando que a formação corresponde à Arca bíblica. Pesquisadores continuam analisando os dados e as amostras coletadas.
O que existe debaixo da formação?
É justamente nessa parte que a investigação ganhou força.
Levantamentos realizados anteriormente com tecnologias como radar de penetração no solo (GPR), tomografia de resistividade elétrica (ERT) e LiDAR identificaram anomalias e estruturas subterrâneas que os pesquisadores envolvidos no projeto interpretam como possíveis corredores, compartimentos ou espaços internos.
A equipe afirma ter identificado linhas retas, ângulos e possíveis divisões no subsolo. Alguns desses sinais estariam a vários metros de profundidade.
Uma investigação divulgada pela CNN Brasil também relatou que análises de amostras de solo indicaram maior concentração de matéria orgânica no interior da formação em comparação com áreas externas.
Esses elementos aumentaram o interesse científico pelo local, mas ainda precisam ser interpretados e confirmados por análises independentes.
Perfurações podem revelar novas respostas
Em setembro de 2026, os pesquisadores começaram uma etapa considerada importante: a perfuração para obtenção de amostras do interior da formação.
De acordo com o projeto, foram planejadas perfurações de até aproximadamente 18 metros de profundidade. O material retirado deverá passar por análises laboratoriais para determinar sua composição, idade e características orgânicas e estratigráficas.
A equipe também anunciou planos para utilizar um pequeno robô especialmente desenvolvido para entrar em espaços subterrâneos identificados durante os levantamentos geofísicos.
A ideia é conseguir observar diretamente áreas que não podem ser acessadas facilmente por pesquisadores.
A formação foi descoberta em 1959
O mistério de Durupınar não começou agora.
A estrutura foi identificada em fotografias aéreas em 1959 pelo capitão do Exército turco İlhan Durupınar. Desde então, seu formato incomum, semelhante ao de uma grande embarcação, alimentou especulações sobre uma possível relação com a história de Noé.
A formação possui aproximadamente 157 metros de comprimento e está situada no leste da Turquia, relativamente próxima ao Monte Ararat.
Ao longo de mais de seis décadas, pesquisadores discutiram duas possibilidades principais: a de que se trate de uma formação geológica natural ou de que existam estruturas artificiais preservadas sob o terreno.
O que diz a ciência até agora?
A investigação de 2026 é relevante porque reúne diferentes técnicas científicas e conta com participação de pesquisadores da Sivas Cumhuriyet University, na Turquia.
O projeto recebeu autorização oficial para realizar levantamentos e perfurações no local. A expectativa é que as amostras coletadas sejam submetidas a análises mais detalhadas antes de qualquer conclusão definitiva.
A própria existência de estruturas subterrâneas, portanto, ainda não significa que a Arca tenha sido encontrada.
Para transformar a hipótese em uma descoberta arqueológica aceita pela comunidade científica, seria necessário demonstrar, por meio de evidências verificáveis e independentes, que os materiais encontrados correspondem a uma antiga embarcação e, principalmente, estabelecer uma ligação convincente entre essa estrutura e a narrativa bíblica de Noé.
Por que a descoberta seria tão importante?
Se no futuro forem encontradas evidências arqueológicas inequívocas de uma grande embarcação antiga preservada no local, a descoberta teria enorme repercussão histórica, arqueológica e religiosa.
A narrativa da Arca de Noé faz parte da tradição judaico-cristã e possui paralelos em antigas histórias do Oriente Próximo sobre grandes inundações.
Mas existe uma diferença fundamental entre encontrar uma estrutura antiga e comprovar que ela é a Arca de Noé.
Essa distinção é essencial para compreender o que está acontecendo atualmente na Turquia.
Mistério continua
As novas pesquisas transformaram novamente a formação de Durupınar em centro das atenções internacionais. A combinação de georradar, LiDAR, tomografia, análise de solo e perfurações permite aos pesquisadores estudar o interior da formação de maneira mais detalhada do que em investigações anteriores.
No entanto, apesar das manchetes que anunciam uma confirmação definitiva, a Arca de Noé ainda não foi cientificamente comprovada como encontrada.
O que existe neste momento é uma investigação em andamento, resultados preliminares considerados interessantes pelos pesquisadores envolvidos e uma série de perguntas que somente novas análises poderão responder.
A expectativa é que os resultados laboratoriais e os próximos estudos tragam informações adicionais nos próximos meses e ao longo de 2027.
Em resumo
A Arca de Noé foi encontrada? Ainda não há comprovação científica definitiva.
Existe uma formação em formato de barco na Turquia? Sim. A formação de Durupınar é conhecida desde 1959.
Há estruturas subterrâneas sendo investigadas? Sim. Pesquisadores identificaram anomalias por meio de diferentes técnicas de geofísica.
Foram iniciadas perfurações? Sim. A equipe começou a coletar amostras do subsolo em setembro de 2026.
O local foi “100% confirmado” como sendo a Arca? Não. Essa afirmação corresponde a uma alegação divulgada por integrantes do projeto, e não a um consenso científico independente.
O mistério, portanto, permanece aberto — e as próximas análises podem ser decisivas para descobrir o que realmente existe sob a formação de Durupınar.