PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.

Anvisa proíbe comercialização de picolé com melatonina e suplemento proteico após falhas de segurança

© Valter Campanato/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta segunda-feira (26), a proibição da venda, fabricação e distribuição de dois produtos que vinham ganhando espaço no mercado de alimentos funcionais: um picolé contendo melatonina e um suplemento de proteína vegetal. A medida, que inclui o recolhimento das unidades já distribuídas, foi motivada pela ausência de avaliações de segurança para os ingredientes utilizados e pela veiculação de promessas terapêuticas irregulares nas embalagens e propagandas.

A decisão reflete um rigor crescente do órgão regulador diante da tendência de "medicalização" de alimentos comuns. De acordo com a Anvisa, a comercialização desses itens sem o devido registro ou com substâncias em formatos não autorizados representa um risco potencial à saúde pública, uma vez que o consumidor pode ingerir componentes ativos sem o controle de dosagem ou sem a garantia de que a substância é segura para aquela modalidade de consumo.

O picolé com hormônio do sono e o risco da dosagem livre

Um dos alvos da proibição é o Picolé Bentô Gelatos Magnésio + Inositol Relief 3.0., produzido pela empresa ABB Gelateria Ltda. O principal problema identificado pela agência foi o uso de melatonina e inositol em um formato de picolé. No Brasil, a melatonina — um hormônio que regula o ciclo circadiano — é autorizada exclusivamente para uso em suplementos alimentares destinados a adultos, com dosagens específicas e advertências obrigatórias.

Ao incluir o hormônio em um picolé, a empresa descaracteriza a substância como suplemento controlado e a transforma em um alimento de consumo casual. Isso dificulta o monitoramento da quantidade ingerida e pode levar ao consumo indevido por crianças ou pessoas com contraindicações. O inositol, por sua vez, só possui autorização para uso em compostos líquidos prontos para consumo, o que também torna sua presença no gelado uma irregularidade sanitária.

Suplemento de proteína e a 'carona' no sucesso dos emagrecedores

O segundo produto afetado pela medida é o suplemento alimentar Body Strong Protein, sabor cacau, da marca Equaliv (fabricado pela Althaia S.A Indústria Farmacêutica). O item contém um ingrediente chamado Peptistrong, uma proteína de fava hidrolisada que, segundo a Anvisa, ainda não passou pela avaliação de segurança necessária para ser utilizada em alimentos no território nacional.

Além da falta de autorização para o ingrediente, a agência destacou que a publicidade do produto utilizava alegações terapêuticas proibidas para suplementos. A marca prometia a "prevenção de sarcopenia" (perda de massa muscular) e oferecia o produto como um "suporte nutricional para preservação da massa magra em pessoas que usam canetas emagrecedoras", referindo-se aos medicamentos análogos ao GLP-1, como o Ozempic e o Wegovy.

Marketing irregular e desinformação ao consumidor

A Anvisa é enfática ao reforçar que suplementos alimentares não podem alegar propriedades de cura, prevenção ou tratamento de doenças. Ao associar o suplemento ao uso de medicamentos de alta potência para emagrecimento, a empresa induz o consumidor a acreditar que o produto possui uma eficácia clínica que não foi comprovada junto aos órgãos reguladores. A prática é vista como uma tentativa de capitalizar sobre a atual alta demanda por soluções que mitiguem os efeitos colaterais da perda de peso rápida.

Contexto e vigilância no mercado de bem-estar

Este episódio não é isolado. Recentemente, a Anvisa também emitiu alertas sobre outros produtos populares em redes sociais, como o suplemento Ashwagandha, que frequentemente é comercializado de forma irregular. A agência tem intensificado a fiscalização em portais de e-commerce e redes sociais, locais onde a disseminação de promessas milagrosas costuma ser mais veloz do que a regulação oficial.

O setor de alimentos e suplementos é um dos que mais cresce no Brasil, impulsionado por uma cultura de busca por longevidade e performance física. No entanto, o órgão alerta que o fato de um produto ser de origem natural ou vegetal não o isenta de passar por testes rigorosos de toxicidade e estabilidade. A falta de regularização sanitária impede que o consumidor saiba exatamente o que está ingerindo e quais são os efeitos colaterais possíveis a longo prazo.

Com a decisão atual, as empresas responsáveis devem retirar os produtos de circulação imediatamente. Os consumidores que adquiriram o picolé Bentô Gelatos ou o Body Strong Protein da Equaliv são orientados a suspender o consumo. Em casos de reações adversas, a recomendação é buscar atendimento médico e registrar a ocorrência no sistema da Anvisa.

Acompanhar de perto as atualizações dos órgãos de fiscalização é fundamental para garantir que sua busca por saúde não se torne um risco desnecessário. No Impacto1 Jornal, mantemos o compromisso de trazer informações precisas e contextualizadas sobre segurança alimentar, saúde e bem-estar, ajudando você a tomar decisões conscientes e seguras no seu dia a dia. Continue acompanhando nosso portal para estar sempre bem informado sobre os fatos que impactam sua qualidade de vida.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Leia mais

PUBLICIDADE