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AMD entra para o clube do US$ 1 trilhão e deixa rival Intel para trás: entenda a ascensão histórica da gigante dos chips

AMD/Reprodução

O mercado de tecnologia testemunhou um marco histórico nesta segunda-feira (21). A AMD (Advanced Micro Devices), empresa que por décadas foi vista como a eterna segunda colocada no mercado de processadores, rompeu a barreira simbólica e financeira de US$ 1 trilhão em valor de mercado. O feito não apenas consolida a companhia entre as gigantes globais, mas também escancara uma inversão de papéis dramática em relação à sua principal rival histórica, a Intel, que hoje vale pouco mais da metade desse montante.

Por volta do fechamento do pregão, as ações da AMD operavam próximas de US$ 615, com uma valorização diária que beirou os 10%. Com isso, a empresa atingiu a marca de US$ 1,004 trilhão, juntando-se a um seleto grupo de fabricantes de semicondutores que inclui nomes como NVIDIA, Broadcom e Micron. Para quem acompanha o setor, o número é impressionante, mas a trajetória percorrida para chegar até aqui é ainda mais emblemática.

De quase falida a protagonista global

Para compreender a magnitude desse feito, é preciso olhar para o retrovisor. Há pouco mais de dez anos, em 2014, a situação da AMD era alarmante. Avaliada em apenas US$ 2 bilhões, a empresa enfrentava sérios problemas de liquidez, produtos pouco competitivos e uma sombra constante da Intel, que dominava quase 90% do mercado de PCs e servidores. Naquela época, poucos analistas apostariam que a AMD sobreviveria, quanto mais que se tornaria uma empresa de um trilhão de dólares.

A virada de chave começou com uma reestruturação profunda de sua arquitetura de chips e uma aposta estratégica em eficiência energética e design modular. Enquanto a Intel enfrentava sucessivos atrasos em suas fábricas e processos de litografia, a AMD optou por um modelo de negócios fabless (sem fábricas próprias), focando no design e terceirizando a produção para a gigante TSMC. Essa decisão permitiu que a AMD saltasse à frente na corrida tecnológica, entregando chips menores, mais rápidos e que consomem menos energia.

O motor do crescimento: inteligência artificial e data centers

Embora a recuperação tenha começado nos computadores domésticos, o que realmente impulsionou a AMD para a casa dos trilhões foi a explosão da inteligência artificial (IA). Atualmente, a demanda por capacidade computacional em data centers é insaciável. Gigantes como Microsoft, Google e Meta precisam de infraestrutura pesada para treinar e executar modelos de linguagem como o GPT-4, e é aqui que a AMD encontrou sua mina de ouro.

A linha de GPUs Instinct, especificamente voltada para acelerar processos de IA, tornou-se a peça central da estratégia da companhia. Ao oferecer sistemas completos que integram essas placas de vídeo a seus processadores EPYC, a AMD posicionou-se como a única alternativa real ao domínio absoluto da NVIDIA. No segundo trimestre de 2026, os resultados financeiros refletiram esse apetite do mercado: a receita da empresa atingiu o recorde de US$ 11,5 bilhões, um salto de 50% em comparação ao ano anterior.

Domínio no segmento de servidores

O avanço sobre o território da Intel é mais visível no setor de servidores. Historicamente, os data centers eram redutos inexpugnáveis da Intel. No entanto, os processadores EPYC da AMD conquistaram a confiança de arquitetos de sistemas por entregarem mais núcleos de processamento a um custo total de propriedade menor. Atualmente, a divisão de data centers já representa 58% do faturamento total da AMD, gerando US$ 6,7 bilhões apenas no último trimestre reportado.

A comparação inevitável com a Intel

A marca de US$ 1 trilhão é um divisor de águas simbólico na rivalidade AMD vs. Intel. Enquanto a AMD viu suas ações dispararem 185% apenas em 2026, a Intel tem lutado para convencer os investidores de que seu plano de recuperação está no caminho certo. Antes da alta desta segunda-feira, a Intel estava avaliada em cerca de US$ 574 bilhões — uma distância considerável para quem já foi a líder absoluta e inquestionável do setor.

A discrepância nos valores de mercado reflete a percepção de futuro dos investidores. O mercado financeiro parou de avaliar empresas de semicondutores apenas pelo volume de PCs vendidos e passou a priorizar quem detém a tecnologia para sustentar a infraestrutura da nuvem e da IA generativa. Nesse cenário, a AMD provou ter agilidade para se adaptar, enquanto a Intel ainda lida com o peso de sua própria estrutura fabril e transições tecnológicas mais lentas.

O que esperar para o futuro do setor

A entrada da AMD no clube do trilhão não significa que a corrida acabou. Pelo contrário, ela entra agora em uma fase de maior escrutínio. O desafio será manter o ritmo de inovação para não permitir que a NVIDIA se isole ainda mais — já que a empresa de Jensen Huang opera em um patamar superior, superando os US$ 5 trilhões de valor de mercado — e garantir que a cadeia de suprimentos consiga acompanhar a demanda global.

Além disso, a movimentação de hoje sinaliza um otimismo generalizado com o setor de infraestrutura tecnológica. Outras empresas, como Arm e Micron, também registraram altas, indicando que o mercado acredita que ainda estamos no início de um longo ciclo de investimentos em capacidade computacional. Para o consumidor final, essa disputa é positiva, pois acelera o desenvolvimento de tecnologias mais potentes que, eventualmente, chegarão aos dispositivos do cotidiano.

A ascensão da AMD é um lembrete de como o cenário tecnológico pode ser implacável e, ao mesmo tempo, recompensador para quem executa estratégias de longo prazo com precisão. Continue acompanhando o Impacto1 Jornal para mais análises aprofundadas sobre o mercado financeiro e as inovações que moldam o futuro da tecnologia. Nosso compromisso é trazer a informação com o contexto que você precisa para entender o mundo em transformação.

Fonte: https://canaltech.com.br

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