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Petróleo supera US$ 111 e atinge maior cotação em cinco meses com escalada de conflitos no Oriente Médio

G1

O cenário econômico global enfrenta uma nova onda de instabilidade nesta terça-feira (20), com o preço do petróleo disparando nos principais mercados internacionais. O barril do tipo Brent, que serve de referência para o mercado mundial e para a política de preços de diversas petroleiras, superou a marca de US$ 111. Este é o patamar mais elevado registrado nos últimos cinco meses, refletindo o nervosismo dos investidores diante do agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, uma região vital para o suprimento energético do planeta.

Nas primeiras horas da manhã, por volta das 9h, o Brent era negociado a US$ 111,12, registrando uma alta de 1,43%. No entanto, o pico de volatilidade levou a cotação a atingir US$ 111,69 durante a sessão, o que representa um avanço momentâneo de 2%. O movimento não foi isolado: nos Estados Unidos, o petróleo West Texas Intermediate (WTI) apresentou uma valorização ainda mais acentuada, subindo 5,7% e alcançando os US$ 109,60 por barril. Esse salto expressivo acende o alerta para possíveis repasses nos custos de combustíveis e, consequentemente, na inflação global.

Ataques a infraestruturas sauditas e instabilidade regional

A principal força motriz por trás desse aumento súbito é a deterioração da segurança na península arábica. Na última segunda-feira (19), o grupo rebelde houthi, do Iêmen — que conta com o apoio estratégico do Irã — declarou ter realizado uma série de ofensivas contra alvos sensíveis na Arábia Saudita. Segundo os comunicados do grupo, os ataques visaram instalações militares, aeroportos e, crucialmente, plantas da estatal petrolífera Aramco, o coração da economia saudita e uma das maiores fornecedoras de petróleo do mundo.

Embora o governo saudita ainda não tenha emitido uma confirmação detalhada sobre a extensão dos danos ou a veracidade completa das alegações, o mercado financeiro reagiu de forma preventiva. A incerteza quanto à integridade da infraestrutura de produção e refino na Arábia Saudita costuma gerar efeitos imediatos nos preços, já que o país atua como o principal regulador da oferta global de óleo bruto.

O Estreito de Ormuz: O gargalo do comércio mundial

Para além dos ataques em terra, a segurança das rotas marítimas voltou a ser uma preocupação central para analistas e transportadoras. O Estreito de Ormuz, uma passagem estreita situada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é considerado o principal "ponto de estrangulamento" do comércio de petróleo no mundo. Por ele, transita cerca de um quinto de todo o consumo global de líquidos derivados de petróleo.

Dados recentes da empresa de análise Kpler revelam a gravidade da situação: o fluxo médio de petróleo pela região despencou de 20 milhões de barris diários para apenas 8,5 milhões na última semana. Esse declínio drástico está diretamente ligado ao aumento dos riscos de navegação. No último domingo (18), a explosão de um petroleiro que atingiu uma mina naval no sul do estreito reforçou o temor de que o transporte marítimo esteja sob ameaça direta, elevando não apenas os preços do produto, mas também os custos de seguro para fretes internacionais.

Ações diplomáticas e reservas de emergência

Enquanto os preços sobem, a diplomacia internacional tenta conter os danos. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, realizou uma visita surpresa a Israel para se reunir com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O encontro ocorre em um momento em que a coordenação militar e política é vista como essencial para evitar que o conflito regional se transforme em uma crise de abastecimento sem precedentes.

Paralelamente, a Agência Internacional de Energia (AIE) sinalizou que está pronta para intervir. O diretor-executivo da agência, Fatih Birol, afirmou que uma nova liberação de reservas estratégicas de emergência pode ser coordenada entre os países membros se a escassez de oferta se confirmar. Atualmente, a AIE já está em processo de finalização de um pacote anterior de 400 milhões de barris, dos quais 80% já foram injetados no mercado. A preocupação imediata agora se volta para o diesel, combustível fundamental para o aquecimento no Hemisfério Norte e para o transporte de cargas em todo o mundo.

Impactos econômicos e o fator político nos EUA

O encarecimento do petróleo tem um efeito cascata que afeta desde o custo do frete marítimo até o preço dos alimentos nas prateleiras dos supermercados. Nos Estados Unidos, o governo já sente a pressão política. O presidente Donald Trump anunciou um pacote de US$ 8 bilhões em auxílio financeiro para agricultores americanos, visando mitigar os custos elevados com o diesel durante a safra atual. A medida é vista por analistas como uma tentativa de conter o impacto da inflação antes das eleições legislativas de novembro.

No Brasil, a escalada internacional do barril exerce pressão direta sobre a Petrobras e sobre a economia nacional. Como o país ainda possui dependência da paridade internacional em diversos aspectos da cadeia produtiva, a manutenção do petróleo acima dos US$ 110 pode significar novos reajustes nas bombas de combustível, impactando o transporte rodoviário e a logística de distribuição de bens essenciais.

A equipe do Impacto1 Jornal segue monitorando de perto os desdobramentos no Oriente Médio e as oscilações do mercado financeiro global. Em um mundo cada vez mais interconectado, os eventos a milhares de quilômetros de distância moldam a realidade econômica brasileira. Continue acompanhando nossa cobertura para entender como esses e outros fatos impactam o seu dia a dia, com a análise e a credibilidade que você já conhece.

Fonte: https://g1.globo.com

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