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Apple pode enfrentar aumento em multa bilionária por violação de patente do iPhone e Apple Watch

G1

A Apple, uma das maiores gigantes de tecnologia do mundo, está enfrentando um novo capítulo em uma das disputas judiciais mais caras de sua história. A empresa Taction, com sede em San Diego, Califórnia, solicitou recentemente à Justiça dos Estados Unidos que o valor da indenização de US$ 5,7 bilhões (aproximadamente R$ 28,8 bilhões) — já considerada uma cifra recorde — seja ampliado. O pedido baseia-se na inclusão de vendas de produtos realizadas após o período inicialmente julgado, além da incidência de juros retroativos que podem elevar a conta final em centenas de milhões de dólares.

O veredito inicial foi proferido em setembro por um júri federal na Califórnia, que concluiu que a Apple utilizou indevidamente uma tecnologia de feedback háptico pertencente à Taction. O recurso, que se tornou um padrão de experiência do usuário nos dispositivos da marca, é o que permite que o aparelho emita vibrações sutis e respostas físicas ao toque, simulando botões reais ou confirmando comandos na tela do iPhone e do Apple Watch.

O impacto da tecnologia de feedback háptico no mercado móvel

Para entender a magnitude da disputa, é preciso compreender o papel da tecnologia háptica no ecossistema da Apple. Longe de ser apenas um componente secundário, o sistema de vibração precisa — comercializado pela Apple como 'Taptic Engine' — é fundamental para a interface de seus dispositivos. Ele permite que o usuário sinta uma resposta tátil ao rolar uma lista, abrir o centro de controle ou utilizar o Apple Pay, criando uma sensação de 'materialidade' no software.

A Taction alega que suas patentes cobrem métodos específicos de geração dessas vibrações de forma eficiente e compacta, algo que a Apple teria integrado sem a devida licença. No tribunal, o júri concordou que a violação ocorreu, estabelecendo o que já é a maior indenização por patentes da história dos EUA. No entanto, a batalha agora se desloca para o cálculo exato do prejuízo financeiro causado à detentora da patente.

Por que o valor da indenização pode subir ainda mais?

A estratégia jurídica da Taction agora foca no 'tempo perdido' e nas vendas contínuas. O montante de US$ 5,7 bilhões foi calculado com base nas vendas registradas entre 2021 e março deste ano. Contudo, como a Apple continuou comercializando milhões de iPhones e Apple Watches nos seis meses seguintes ao período analisado, a Taction argumenta que tem direito a uma compensação proporcional a esse novo volume de vendas.

Além disso, a empresa solicitou a aplicação de juros pré-julgamento baseados na taxa legal da Califórnia, de 7%. De acordo com os advogados da Taction, o valor bilionário estabelecido pelo júri não deve ser justificativa para a isenção de juros, uma vez que o atraso no pagamento prejudica a empresa que detém o direito intelectual. Estima-se que apenas os juros e o ajuste pelas vendas recentes possam adicionar mais de US$ 500 milhões ao total da dívida.

O precedente do caso Masimo e a pressão sobre a Apple

Este não é um caso isolado de pressão financeira sobre o caixa da Apple por questões de propriedade intelectual. Recentemente, a empresa foi condenada a pagar US$ 184,2 milhões apenas em juros em um processo movido pela Masimo, empresa de tecnologia médica. Naquela ocasião, a disputa envolvia sensores de oxigênio no sangue presentes em versões recentes do Apple Watch. A recorrência desses vereditos negativos acende um alerta sobre a estratégia de licenciamento da companhia de Cupertino.

A resposta da Apple e os desdobramentos para o consumidor

Como era esperado, a Apple nega qualquer irregularidade e já manifestou sua intenção de recorrer. A gigante tecnológica sustenta que o veredito deve ser anulado, alegando que suas tecnologias foram desenvolvidas de forma independente e que as patentes da Taction seriam inválidas ou aplicadas de forma excessivamente ampla. Para a Apple, o pagamento de multas dessa magnitude pode criar precedentes perigosos que encarecem o desenvolvimento de inovações no setor.

Para o consumidor final, essas batalhas judiciais raramente resultam em mudanças imediatas nos produtos, mas podem influenciar os preços de lançamentos futuros ou levar à remoção temporária de recursos, como ocorreu brevemente com as vendas do Apple Watch nos EUA devido ao caso Masimo. A manutenção da tecnologia de feedback háptico é vital para a identidade visual e funcional do iPhone, o que torna improvável que a Apple remova o recurso, optando, em última instância, por um acordo ou pela continuidade da briga nos tribunais superiores.

A decisão final sobre o aumento da multa caberá ao juiz responsável pelo caso na Califórnia. Se concedido, o valor reforçará a tendência de tribunais americanos serem cada vez mais rigorosos com grandes corporações em casos de proteção à propriedade intelectual de empresas menores e centros de pesquisa. O desfecho desta disputa será um marco para a indústria de hardware e para a forma como patentes de componentes essenciais são negociadas globalmente.

O Impacto1 Jornal segue acompanhando os desdobramentos deste e de outros casos que moldam o futuro da tecnologia e do mercado global. Para manter-se informado sobre os impactos econômicos e as principais decisões judiciais que afetam o seu dia a dia, continue acompanhando nossa cobertura. No Impacto1 Jornal, nosso compromisso é levar até você a informação com profundidade, contexto e a credibilidade que o leitor brasileiro exige.

Fonte: https://g1.globo.com

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