Uma tarde que deveria ser de rotina tranquila no luxuoso bairro do Alto de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, transformou-se em um cenário de guerra na última quarta-feira (14). Imagens de câmeras de segurança registraram o exato momento em que um veículo transportando uma quadrilha de assaltantes invadiu a garagem da mansão pertencente à família Matsunaga. O desfecho da ação criminosa foi marcado por uma intensa troca de tiros com a Polícia Militar, resultando na morte de três suspeitos, na prisão de um quarto integrante e em um policial ferido.
A ocorrência mobilizou unidades das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), a tropa de elite da PM paulista, após o alerta de invasão à residência. O vídeo, que agora integra o inquérito policial, mostra a audácia dos criminosos ao acessarem o imóvel em plena luz do dia. Dentro da casa, três funcionários foram rendidos e mantidos como reféns sob a mira de armas de fogo, enquanto o grupo buscava por bens de alto valor. Felizmente, os proprietários e sua neta não estavam no local no momento do ataque.
O confronto e o balanço da operação policial
Assim que as equipes da Rota chegaram ao endereço, o cerco foi estabelecido. De acordo com informações da Secretaria da Segurança Pública (SSP), um dos suspeitos, de 39 anos, foi interceptado e detido ainda no pavimento térreo da residência. No entanto, o restante do grupo ofereceu resistência armada ao encontrar os policiais nos demais cômodos da mansão. O confronto foi imediato e violento.
Dois suspeitos morreram ainda dentro do imóvel. Um terceiro indivíduo chegou a ser socorrido e encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Lapa, mas não resistiu aos ferimentos. Durante o tiroteio, um policial militar foi atingido por um disparo no ombro. Ele foi levado consciente ao Hospital das Clínicas e permaneceu sob observação médica. A perícia foi acionada para analisar a cena do crime, e as armas utilizadas pelos assaltantes foram apreendidas para investigação técnica.
Vulnerabilidade e o histórico de violência na residência
Esta não é a primeira vez que a mansão da família Matsunaga é alvo da criminalidade organizada. Em agosto de 2023, o imóvel foi palco de outro roubo traumático. Naquela ocasião, Mitsuo Matsunaga, sua esposa Misako Kitano e a neta adolescente foram rendidos por três criminosos armados com facas durante a madrugada. As vítimas foram amarradas enquanto os assaltantes vasculhavam a casa, fugindo com cerca de R$ 20 mil em espécie, joias, aparelhos celulares e duas armas registradas em nome do patriarca.
A repetição de episódios de violência levanta questões sobre a segurança em bairros nobres de São Paulo e a exposição de figuras públicas de alto poder aquisitivo. Mitsuo e Misako, ambos octogenários, são os pais de Marcos Matsunaga, empresário cujo assassinato em 2012 chocou o país. Desde a tragédia que vitimou o filho, o casal assumiu a guarda da neta, hoje com 15 anos, buscando proporcionar à jovem uma vida protegida e longe dos holofotes negativos que cercam a história de seus pais biológicos.
O peso do sobrenome e o império da família Matsunaga
O sobrenome Matsunaga está intrinsecamente ligado à história industrial do Brasil, especificamente ao setor alimentício. Mitsuo Matsunaga é uma figura central na trajetória da Yoki, empresa fundada por seu sogro, Yoshiro Kitano. Sob sua gestão, a marca tornou-se um gigante do mercado, sendo eventualmente vendida em 2012 para a multinacional General Mills por uma cifra que superou R$ 1,9 bilhão.
Mesmo após a venda da companhia, a relevância econômica da família permaneceu evidente. Em rankings recentes de grandes fortunas, Mitsuo figurou entre os brasileiros mais ricos, com um patrimônio estimado em cerca de R$ 2 bilhões. Essa projeção financeira, embora fruto de décadas de trabalho empresarial, acaba por tornar a família um alvo visado por quadrilhas especializadas em residências de alto padrão, que monitoram a rotina de empresários e seus herdeiros.
O contexto do crime de 2012
É impossível dissociar o nome da família do crime ocorrido em maio de 2012, quando Marcos Kitano Matsunaga foi morto e esquartejado por sua esposa, Elize Matsunaga. O crime aconteceu no apartamento do casal, também na Zona Oeste de São Paulo, motivado, segundo a confissão de Elize, por uma discussão após a descoberta de uma traição extraconjugal. Enquanto Elize cumpre sua pena em regime aberto após anos de prisão, a família Matsunaga tenta manter a discrição e a segurança da herdeira de Marcos.
Desdobramentos jurídicos e investigativos
O caso recente foi registrado no 14º Distrito Policial (Pinheiros), mas, devido à gravidade e ao desfecho com mortes decorrentes de intervenção policial, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) foi acionado para prestar apoio institucional. Além da investigação civil sobre a quadrilha, a Polícia Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM), procedimento padrão para avaliar a conduta dos agentes envolvidos no confronto.
As autoridades agora buscam identificar se havia mais participantes dando cobertura ao grupo do lado de fora do imóvel e se a quadrilha possui conexão com outros roubos ocorridos na região de Pinheiros e Alto de Pinheiros nos últimos meses. O detido em flagrante deverá passar por audiência de custódia, enquanto as vítimas resgatadas recebem acompanhamento após o trauma do cárcere privado temporário.
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Fonte: https://g1.globo.com