A tarde da última quarta-feira (14) foi marcada por momentos de extrema tensão em Pinheiros, um dos bairros de classe alta na Zona Oeste de São Paulo. Uma tentativa de assalto à mansão da família Matsunaga mobilizou a Polícia Militar e resultou em um intenso confronto armado. De acordo com informações confirmadas por investigadores, a filha de Elize e Marcos Matsunaga, hoje uma adolescente de 15 anos, não se encontrava na residência no momento em que o imóvel foi invadido. Seus avós paternos, Mitsuo Matsunaga e Misako Kitano, proprietários do imóvel, também estavam ausentes.
Apesar da ausência dos familiares, a residência não estava vazia. Três funcionários que realizavam suas atividades rotineiras no local foram surpreendidos por pelo menos quatro assaltantes armados. As vítimas foram feitas reféns e mantidas sob vigilância dos criminosos enquanto o grupo tentava localizar bens de valor. A ação foi interrompida pela chegada rápida de guarnições da Polícia Militar, acionadas via denúncia, o que deu início a uma operação de resgate e cerco policial.
Confronto e desdobramentos da ação policial
A intervenção das forças de segurança transformou a área residencial em um cenário de confronto. Logo no pavimento térreo, os agentes conseguiram deter um dos suspeitos, um homem de 39 anos, que foi preso em flagrante. No entanto, a progressão da equipe pelo imóvel levou ao encontro com outros três integrantes da quadrilha, resultando em uma troca de tiros. De acordo com o relatório da Secretaria da Segurança Pública (SSP), três suspeitos foram atingidos; dois morreram no local e um terceiro chegou a ser socorrido para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Lapa, mas não resistiu aos ferimentos.
A operação também deixou marcas nas forças de segurança. Um policial militar foi atingido por um disparo no ombro e precisou ser encaminhado ao Hospital das Clínicas para cuidados médicos. As armas utilizadas pelos criminosos foram apreendidas e o caso foi registrado no 14º Distrito Policial (Pinheiros). Devido à gravidade e às mortes decorrentes da intervenção, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) foi acionado para prestar apoio técnico, enquanto a Corregedoria da PM abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) para analisar a conduta dos agentes envolvidos.
A vulnerabilidade de um patrimônio bilionário
Este não é um incidente isolado na rotina de insegurança da família. Em agosto de 2023, a mesma mansão foi alvo de criminosos que, na ocasião, conseguiram render Mitsuo Matsunaga, sua esposa e a neta durante a madrugada. Naquele episódio, a família viveu horas de pavor, sendo amarrada enquanto os assaltantes levavam joias, celulares, dinheiro em espécie e armas registradas em nome do patriarca. A recorrência desses crimes levanta discussões sobre a segurança em perímetros de alto luxo na capital paulista e o monitoramento de famílias com alto poder aquisitivo.
Mitsuo Matsunaga é uma figura central no cenário empresarial brasileiro. Genro de Yoshiro Kitano, fundador da marca de alimentos Kitano (que posteriormente se tornaria a Yoki), Mitsuo comandou os negócios da família até a bilionária venda da companhia para a multinacional General Mills, em 2012, por cerca de R$ 1,95 bilhão. Sua relevância financeira é tamanha que, em 2024, ele figurou na prestigiada lista de bilionários da revista Forbes, ocupando a 189ª posição, com um patrimônio estimado em R$ 2 bilhões.
A guarda da neta e o peso do passado
Para além das cifras empresariais, a família Matsunaga carrega o estigma de uma das maiores tragédias criminais do Brasil. Desde o assassinato e esquartejamento de Marcos Matsunaga em maio de 2012, crime confessado por sua então esposa Elize Matsunaga, a criação da filha do casal ficou sob a responsabilidade exclusiva dos avós paternos. A adolescente, que tinha apenas um ano na época do crime, vive hoje sob a proteção dos avós octogenários, longe dos holofotes e sob constante vigilância de segurança privada.
Contexto do caso Elize Matsunaga
O crime ocorrido há mais de uma década ainda reverbera na opinião pública e no sistema judiciário. Marcos era diretor da Yoki e herdeiro direto do império construído pelo pai. Elize foi condenada a mais de 19 anos de prisão por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, pena que sofreu reduções ao longo dos anos. Após cumprir cerca de dez anos de detenção na Penitenciária de Tremembé, ela obteve a liberdade condicional em maio de 2022.
Atualmente, enquanto a família Matsunaga tenta manter uma rotina de discrição em meio a novos episódios de violência urbana, as autoridades investigam se a quadrilha que invadiu o imóvel nesta semana possuía informações privilegiadas sobre a rotina dos moradores ou se a escolha do alvo foi baseada apenas no ostensivo padrão da residência. Até o momento, não há confirmação se algum objeto de valor foi levado durante a tentativa frustrada de roubo.
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Fonte: https://g1.globo.com