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O que Campinas pede por delivery? Café da manhã cresce 41% e pedidos de parmegiana disparam na cidade

G1

O hábito de pedir comida por aplicativo em Campinas deixou de ser uma exclusividade dos finais de semana ou das noites de preguiça para se tornar parte integrante do cotidiano, desde as primeiras horas do dia. Um levantamento recente detalhando o comportamento do consumidor campineiro revela uma mudança significativa na dinâmica urbana: o delivery agora acompanha o despertar da cidade. Em 2025, os pedidos de café da manhã registraram um crescimento impressionante de 41% em comparação ao ano anterior, consolidando o período entre 6h e 10h como a nova fronteira do setor de alimentação fora do lar.

Os dados, extraídos de um balanço da plataforma iFood, mostram que o pão francês e o clássico misto quente são os protagonistas das mesas campineiras logo cedo. Esse fenômeno não é isolado; ele reflete a consolidação do delivery como uma solução de conveniência extrema. Enquanto o estado de São Paulo viu o setor crescer 13,6% no último ano, Campinas acelerou em um ritmo muito superior, atingindo uma alta de 20,93%. O avanço supera inclusive o desempenho da própria cidade no biênio anterior, evidenciando que o mercado local ainda possui fôlego para expansão e maturidade.

A preferência pelo sabor brasileiro e o fenômeno da parmegiana

Diferente da capital e de outras regiões do estado, onde o hambúrguer costuma reinar absoluto, o paladar de Campinas tem uma identidade própria e profundamente ligada às raízes nacionais. A categoria de comida brasileira liderou o volume de pedidos em 2025, com um crescimento de 30%. O ranking local coloca os lanches e a alimentação saudável nas posições seguintes, enquanto no restante do estado o hambúrguer e os doces dominam o topo. Essa predileção pela 'comida de verdade' — o arroz, feijão e proteína — sinaliza que o delivery em Campinas é utilizado como substituto das refeições principais diárias, e não apenas como um agrado ocasional.

Dentro desse cenário de valorização da culinária nacional, um dado saltou aos olhos dos analistas: os pedidos de parmegiana de frango com chips dispararam incríveis 1.067% em um ano. O número estratosférico sugere que o prato se tornou a nova 'comfort food' oficial da cidade, oferecendo uma combinação de saciedade, preço competitivo e a familiaridade que o campineiro busca no dia a dia. Por outro lado, a tendência do 'monte seu poke' permanece resiliente, liderando os pedidos individuais pelo terceiro ano consecutivo, o que demonstra uma preocupação constante com a personalização e o frescor dos alimentos.

Expansão global: a ascensão da culinária coreana e gaúcha

O apetite do campineiro também está se tornando mais cosmopolita. A culinária asiática, impulsionada pela cultura coreana, e a comida gaúcha foram as categorias que mais avançaram em termos percentuais, com altas de 48% e 48,5%, respectivamente. Pratos como o <i>bibimbap</i> (arroz com legumes, carne e ovo) passaram a ocupar o topo das preferências em restaurantes especializados, desbancando opções que anteriormente eram mais populares, como o <i>bulgogui</i>.

Empresários do setor, como o chef Vitorino Sin, observam que o delivery hoje já representa cerca de 20% do faturamento de estabelecimentos que antes focavam majoritariamente no atendimento presencial. Além da curiosidade gastronômica, há um movimento nítido em direção a pratos mais saudáveis e opções vegetarianas dentro desse nicho. A agilidade na entrega e a manutenção da temperatura e textura dos alimentos exóticos têm sido os principais desafios — e trunfos — para manter o cliente fiel nesse segmento.

Confeitarias se transformam para atender ao 'boom' dos doces

Outro setor que precisou se reinventar foi o de sobremesas. A categoria de doces e bolos teve a maior expansão percentual entre as dez maiores da cidade, crescendo 44%. O caso da confeitaria de Henrique Bitencourt Vaz, no bairro Cambuí, é emblemático: se em 2019 o delivery representava apenas 10% das vendas, hoje ele abocanha metade do faturamento mensal da unidade. O destaque absoluto é o bolo de pote, cujas vendas saltaram de 30 para 120 unidades diárias.

Essa mudança de patamar exigiu adaptações operacionais severas. Para garantir que o produto chegue intacto ao consumidor, muitos estabelecimentos tiveram que retirar itens excessivamente delicados do cardápio de entrega e investir em embalagens mais robustas e logística própria de montagem. O comportamento do consumidor de doces concentra-se entre o almoço e o fim da tarde, funcionando como um combustível para o período de trabalho ou um momento de recompensa durante a rotina.

O papel dos cupons e a nova jornada de compra

Por trás do aumento nos números, existe uma estratégia agressiva de benefícios. Gestores de redes de alimentação notam que o consumidor de Campinas tornou-se um 'caçador de oportunidades'. A presença de cupons de desconto, frete grátis e programas de fidelidade dentro dos aplicativos são, muitas vezes, o fator decisivo para a escolha de uma marca em detrimento de outra. O cliente busca marcas de referência, mas a fidelidade é testada a cada nova oferta que surge na tela do smartphone.

Este cenário de 2025 consolida Campinas como um dos principais polos de inovação e consumo de delivery no Brasil. A cidade não apenas segue tendências nacionais, mas as dita, especialmente na valorização da culinária brasileira e na integração do serviço de entrega em horários antes considerados improváveis. Para o comércio local, o desafio agora é manter a qualidade e a agilidade em um mercado que não para de crescer e que se torna cada vez mais exigente.

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Fonte: https://g1.globo.com

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