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Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno: mercados internacionais reagem com forte otimismo e ativos brasileiros disparam no exterior

G1

O cenário político brasileiro voltou a ditar o ritmo das finanças globais logo após a confirmação do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Antes mesmo da abertura da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) nesta segunda-feira (5), os termômetros internacionais já apontavam para uma recepção efusiva dos investidores ao desenho final das urnas. O movimento, iniciado ainda na noite de domingo, reflete a leitura do setor financeiro sobre o equilíbrio de forças políticas e as perspectivas para a condução econômica do país nos próximos quatro anos.

A reação mais contundente veio dos Estados Unidos. O EWZ (iShares MSCI Brazil ETF), principal fundo de índice que acompanha o desempenho das ações brasileiras em Nova York, registrou uma disparada de quase 10% no <i>after-hours</i> — o período de negociações estendidas após o fechamento regular. Por volta das 23h50 (horário de Brasília) do domingo, o fundo era negociado a US$ 42, consolidando uma alta expressiva de 9,98% em relação ao fechamento da última sexta-feira.

Efeito dominó nos mercados asiáticos

A onda de otimismo atravessou o globo e chegou com força à Ásia. Em Tóquio, o fundo que replica o Ibovespa abriu o pregão de segunda-feira com uma valorização de 9,40%, atingindo a marca de 322 ienes. Essas movimentações antecipadas em mercados estrangeiros funcionam como um 'esquenta' para o pregão brasileiro, servindo de balizador para as expectativas de corretoras e gestoras de patrimônio nacionais.

Para analistas de mercado, a valorização vertiginosa não indica necessariamente uma preferência ideológica, mas sim uma reação técnica à composição do cenário eleitoral. A leitura predominante é de que o resultado do primeiro turno fortaleceu a oposição e impôs um congresso com perfil mais conservador, o que, na visão do mercado, reduz as incertezas sobre guinadas econômicas bruscas e aumenta a pressão por um compromisso rigoroso com o ajuste fiscal.

O peso das gigantes nacionais no otimismo estrangeiro

O desempenho desses fundos internacionais é diretamente influenciado pelas maiores empresas brasileiras, que compõem o núcleo duro do Ibovespa. A Vale, gigante da mineração, detém a maior fatia de influência, com 11,8% de participação no índice. Logo atrás, o setor bancário e de energia mantém o protagonismo: Itaú Unibanco (8,5%), Petrobras (somando 10,5% entre ações ordinárias e preferenciais) e Bradesco (4%) são os pilares que sustentam essas altas.

Investidores projetam que, com um cenário político mais definido e a necessidade de acenos ao centro por parte de ambos os candidatos, ativos de estatais e grandes bancos tendem a se valorizar. Além disso, há uma expectativa real de queda no dólar e nos juros futuros, caso as promessas de controle de gastos públicos ganhem contornos mais claros durante a campanha do segundo turno.

Ajuste fiscal e governabilidade no horizonte

O conceito de ajuste fiscal — o esforço do governo para equilibrar receitas e despesas — é o principal 'mantra' que justifica a euforia dos investidores. O mercado financeiro enxerga que a configuração política atual exigirá de quem quer que vença o pleito uma postura de diálogo com o Legislativo e uma gestão austera das contas públicas para garantir a confiança internacional e atrair novos investimentos.

Além das <i>blue chips</i> (como Vale e Petrobras), outros ativos de peso como B3, Sabesp, BTG Pactual e Itaúsa também aparecem no radar de compras, sinalizando que a confiança se estende por diversos setores da economia nacional, do saneamento ao mercado de capitais.

O que esperar das próximas semanas

Com a disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula oficialmente no segundo turno, a volatilidade deve permanecer como uma marca constante nos próximos dias. No entanto, a largada dada pelos mercados externos sugere que, ao menos momentaneamente, o temor de uma instabilidade institucional profunda foi substituído por uma aposta na resiliência das instituições e na continuidade de políticas econômicas voltadas à estabilidade.

As próximas semanas serão decisivas não apenas para os palanques, mas para as mesas de operação. O mercado agora aguarda definições mais claras sobre as equipes econômicas de ambos os candidatos e, principalmente, sobre os planos para a manutenção do teto de gastos ou criação de novas regras fiscais que garantam o crescimento sustentável do Brasil a longo prazo.

As transformações no cenário político e econômico exigem acompanhamento constante e olhar apurado sobre os fatos que moldam o futuro do país. No Impacto1 Jornal, mantemos o compromisso de entregar a você uma cobertura profunda, conectando os pontos entre a política de Brasília e o bolso dos brasileiros. Continue acompanhando nosso portal para entender os desdobramentos desta corrida eleitoral com a clareza e a credibilidade que o momento exige.

Fonte: https://g1.globo.com

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