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Por que os candidatos a presidente querem construir mais data centers no Brasil

G1

Em uma corrida eleitoral marcada por divergências profundas em áreas como economia e costumes, surge um ponto de convergência inesperado entre os principais candidatos à Presidência da República: a necessidade urgente de expandir a infraestrutura tecnológica do país. No centro dessa agenda estão os data centers, instalações gigantescas que abrigam servidores responsáveis pelo processamento de dados e pelo treinamento de sistemas de Inteligência Artificial (IA).

O movimento mais recente partiu do atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que anunciou em Macaíba (RN) um investimento de R$ 1 bilhão para a criação de um supercomputador voltado à IA. Paralelamente, o governo articula outra estrutura de alta performance no Rio de Janeiro, desta vez em cooperação com empresas chinesas. Essas iniciativas não são isoladas; elas refletem uma disputa global por soberania tecnológica, onde o Brasil tenta se posicionar como um player relevante em meio à tensão comercial entre Estados Unidos e China.

O consenso estratégico em meio à polarização

Embora os métodos variem conforme o espectro ideológico, a percepção de que o Brasil não pode ficar para trás na economia dos dados une nomes como Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). A visão compartilhada é de que os data centers são o "novo petróleo" — a infraestrutura básica necessária para sustentar desde serviços públicos digitais até a inovação na indústria privada.

Para os especialistas, esse interesse súbito se justifica pelo fato de que a IA não é apenas uma ferramenta de produtividade, mas um ativo de segurança nacional. Sem capacidade computacional própria, o país corre o risco de se tornar meramente dependente de tecnologias estrangeiras, exportando dados brutos e importando inteligência processada a custos elevados.

As diferentes visões para o setor: Estado vs. Mercado

Apesar do objetivo comum, as propostas divergem significativamente na execução. O plano de Lula, por exemplo, vincula a expansão dos data centers ao conceito de soberania digital. A proposta petista foca em infraestruturas operadas por instituições brasileiras e serviços de nuvem nacionais, impondo contrapartidas de conteúdo local e rigorosas exigências de eficiência energética e uso de fontes renováveis.

No campo oposto, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema apostam na atração de capital privado por meio da desoneração. Para eles, o Brasil deve aproveitar sua matriz elétrica predominantemente limpa para se tornar um porto seguro para as "Big Techs". Zema defende que a abundância de energia competitiva pode acelerar a eletrificação da economia e atrair indústrias intensivas em processamento de dados, gerando empregos qualificados em um setor de alto valor agregado.

Incentivos e zonas especiais

Ronaldo Caiado propõe um caminho intermediário: incentivos tributários condicionados a benefícios sociais e tecnológicos, como a reserva de capacidade computacional para universidades e centros de pesquisa nacionais. Já Renan Santos introduz a ideia de transformar o Nordeste em um polo exportador de capacidade computacional, sugerindo a criação de zonas econômicas especiais com regulação e carga tributária diferenciadas para o setor de IA.

Augusto Cury (Avante), que ganhou fôlego nas pesquisas recentes, trata a IA como infraestrutura estratégica de Estado. Embora seu plano seja menos detalhado sobre a construção física de galpões de servidores, ele defende que o Brasil precisa transitar da posição de consumidor para a de produtor de inovação, integrando a robótica e a internet das coisas (IoT) aos serviços públicos essenciais.

Os desafios invisíveis: energia e recursos naturais

Apesar do otimismo dos candidatos, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil alertam para os custos ocultos. Data centers são consumidores vorazes de eletricidade e exigem sistemas complexos de resfriamento que utilizam milhões de litros de água. O debate sobre quem arcará com o impacto sobre o sistema elétrico e hídrico nacional ainda é superficial nos programas de governo.

Além disso, a construção de prédios cheios de servidores não garante, por si só, o desenvolvimento tecnológico. Há uma preocupação latente de que o país ofereça incentivos fiscais e recursos naturais apenas para hospedar dados de empresas globais, sem que ocorra uma transferência real de conhecimento ou o fortalecimento da indústria de software nacional.

O que está em jogo para o eleitor

Para o cidadão comum, essa discussão pode parecer técnica demais, mas suas implicações são diretas. A presença de uma infraestrutura robusta no país pode significar internet mais rápida, serviços públicos mais eficientes — como diagnósticos de saúde via IA mais precisos — e a criação de postos de trabalho que exigem maior especialização técnica. Por outro lado, a forma como esses projetos serão financiados e regulados determinará o custo da energia na conta de luz dos brasileiros nos próximos anos.

À medida que a eleição se aproxima, a expectativa é que os candidatos detalhem como pretendem equilibrar a atração de investimentos com a proteção dos recursos naturais e a garantia de que o Brasil não será apenas um "hospedeiro" de dados, mas um protagonista na revolução tecnológica global.

Acompanhar os desdobramentos das propostas tecnológicas é fundamental para entender o rumo da economia brasileira na próxima década. No Impacto1 Jornal, seguimos monitorando os planos de governo e trazendo análises aprofundadas sobre como a inovação impacta a sua vida. Fique atento às nossas atualizações para uma cobertura completa e contextualizada dos temas que definem o futuro do país.

Fonte: https://g1.globo.com

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