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Azeite da Serra da Mantiqueira conquista prêmio internacional: ‘Estou me sentindo ganhando um Oscar’, diz produtor

G1

O Brasil consolidou, nos últimos anos, sua posição como um produtor de azeites de oliva extravirgem de altíssima qualidade, competindo em pé de igualdade com nações tradicionais como Espanha, Itália e Grécia. O exemplo mais recente dessa ascensão vem da Serra da Mantiqueira, no interior de São Paulo. Uma propriedade localizada em Santo Antônio do Pinhal acaba de ser laureada em uma das premiações mais rigorosas do setor, reforçando o potencial do terroir brasileiro para a produção de óleos de excelência.

A Fazenda Sabiá conquistou reconhecimento internacional no Flos Olei 2026, um guia sediado na Itália que é amplamente considerado a bíblia da olivicultura mundial. O empreendimento paulista venceu em duas categorias estratégicas: “The Best Extra Virgin Olive Oil – Extraction System”, que premia a excelência tecnológica e técnica no processo de extração, e a categoria de Melhor Azeite Extravirgem na variedade Picual, uma azeitona de origem espanhola que encontrou solo fértil e clima favorável nas montanhas paulistas.

O prestígio do Flos Olei e o 'Oscar' dos azeites

Para quem não está familiarizado com o mercado de óleos finos, o Flos Olei representa o ápice da avaliação sensorial e técnica. O guia reúne produtores de 57 países, espalhados por cinco continentes, e apenas os 500 melhores entram na publicação anual. Para João Roberto “Bob” Vieira da Costa, empresário e idealizador da marca Sabiá, o reconhecimento vai além de uma simples medalha; é a validação de um projeto que une paixão e precisão técnica.

“Estou me sentindo ganhando um Oscar. É um Oscar do mundo dos azeites”, afirmou Bob em entrevista ao portal g1. A analogia com o prêmio máximo do cinema não é exagero: a concorrência global é feroz e os critérios de avaliação envolvem desde a análise química rigorosa até testes organolépticos realizados por provadores profissionais que buscam defeitos mínimos e virtudes máximas em cada amostra.

A ciência por trás do sabor: o rigor na extração

O prêmio de melhor sistema de extração destaca um dos pilares da produção de azeite extravirgem: a velocidade. Diferente do vinho, que muitas vezes se beneficia do envelhecimento, o azeite é um suco de fruta que começa a oxidar no momento em que a azeitona é colhida. Na Serra da Mantiqueira, a equipe da Fazenda Sabiá investiu em tecnologia de ponta para reduzir drasticamente o intervalo entre a colheita no campo e o processamento no lagar.

O processo envolve etapas minuciosas de lavagem, moagem, malaxação (mistura) e centrifugação. O controle rígido da temperatura é o que garante o selo de "extração a frio", mantendo intactos os polifenóis e antioxidantes que dão ao azeite não apenas o sabor picante e amargo característico, mas também suas propriedades benéficas à saúde. Qualquer oscilação térmica ou demora no processamento pode comprometer a qualidade final, transformando um produto de elite em um óleo comum.

Degustação em tempo real e ajustes finos

Um dos diferenciais da fazenda é a adoção de uma metodologia de monitoramento constante. Durante a safra, um grupo de degustadores avalia o azeite imediatamente após a saída da centrífuga, antes mesmo da filtragem. Essa análise em tempo real permite ajustes imediatos na velocidade de moagem ou no tempo de mistura. Bob explica que a produção é dinâmica: fatores climáticos, como a umidade do dia ou o nível de maturação exato da fruta naquela manhã, exigem que o mestre de lagar adapte as máquinas constantemente.

O terroir da Mantiqueira e a diversificação gastronômica

A Serra da Mantiqueira tem se consolidado como o principal polo de azeites premium do Sudeste brasileiro. A altitude e o clima mais ameno proporcionam um estresse hídrico e térmico para as oliveiras que, de certa forma, emula as condições mediterrâneas, mas com as particularidades do solo nacional. A variedade Picual, vencedora do prêmio, é conhecida por sua estabilidade e notas sensoriais que remetem a ervas frescas e tomate, características que foram potencializadas pelo manejo cuidadoso em solo paulista.

Além da produção técnica, o setor de azeites na região também tem impulsionado o "oleoturismo". A Fazenda Sabiá, por exemplo, abre suas portas para visitantes que desejam entender o caminho da azeitona até o vidro. Nessas experiências, o público é desafiado a quebrar preconceitos gastronômicos. Uma das sugestões que mais surpreende os turistas é a combinação de azeite extravirgem sobre sorvete de baunilha com flor de sal, uma tendência em restaurantes de alta gastronomia que destaca as notas frutadas do óleo.

Impacto e perspectivas para o setor

O sucesso da produção nacional em guias internacionais como o Flos Olei — onde o produtor já figura também como forte candidato para a edição de 2027 — eleva o patamar de toda a cadeia produtiva brasileira. Isso incentiva outros produtores locais a buscarem certificações e a investirem em tecnologia, gerando empregos qualificados no campo e fortalecendo a economia regional de cidades como Santo Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí e Campos do Jordão.

O reconhecimento internacional prova que o azeite brasileiro não é apenas uma alternativa ao importado, mas uma escolha de preferência para consumidores exigentes que buscam frescor. Diferente dos óleos que atravessam o oceano em navios, o azeite da Mantiqueira chega à mesa do consumidor poucas semanas após o envase, preservando nuances sensoriais que os produtos importados muitas vezes perdem no transporte.

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Fonte: https://g1.globo.com

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